Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos (NWS), uma "onda de calor perigosa e potencialmente recorde" continuará afetando grande parte das regiões central e leste do país até sexta-feira (3). Durante o fim de semana do Dia da Independência, o fenômeno deverá se concentrar na Costa Leste.
"Vários recordes diários de temperatura poderão ser quebrados", alertou o órgão, acrescentando que a combinação de calor e alta umidade deve agravar as condições climáticas.
A onda de calor coincide com os preparativos para as celebrações dos 250 anos da Declaração de Independência dos Estados Unidos, que incluem diversos eventos ao ar livre programados para sábado.
O fenômeno também afeta partidas da Copa do Mundo. Embora alguns estádios disponham de cobertura, ar-condicionado ou ambos, como os de Atlanta, Dallas e Los Angeles, muitos permanecem a céu aberto. É o caso do estádio da Filadélfia, onde França e Paraguai se enfrentam pelas oitavas de final, no sábado.
Marcada para as 17h no horário local, a partida deverá ser disputada sob calor intenso, tanto para jogadores quanto para torcedores. A Filadélfia está sob alerta, com temperaturas previstas entre 35°C e 40°C até sábado.
A imprensa francesa teme que o calor intenso favoreça o Paraguai nas oitavas de final, por se tratar de uma equipe mais habituada a atuar em condições climáticas extremas. Além disso, tempestades severas podem interromper a partida. O jogo será disputado no mesmo estádio onde o confronto entre França e Iraque foi paralisado por quase duas horas devido ao mau tempo.
No treinamento desta quinta-feira, em Boston, os Bleus fizeram pausas frequentes para se refrescar. Alguns dos jogadores que começaram a partida contra a Suécia, vencida pela França por 3 a 0 na terça-feira, como Mike Maignan, Dayot Upamecano, William Saliba, Aurélien Tchouaméni e Adrien Rabiot, chegaram a evitar a exposição prolongada ao calor.
Jules Koundé, Lucas Digne, Bradley Barcola, Kylian Mbappé e Ousmane Dembélé limitaram-se a uma corrida leve.
As seleções de Portugal e Croácia também devem sentir os efeitos da onda de calor nesta quinta-feira durante a partida em Toronto, no Canadá, marcada para as 19h no horário local. Com máximas previstas entre 34°C e 37°C, a exibição do jogo em telões no centro da cidade foi cancelada. A fan zone, no entanto, permanece aberta ao público.
Impactos na rede elétrica
Embora a maioria dos edifícios nos Estados Unidos seja equipada com sistemas de ar-condicionado, as ondas de calor provocam mais mortes no país do que furacões e inundações. As autoridades estão particularmente preocupadas com a duração e a intensidade deste episódio, que pode afetar a saúde de pessoas vulneráveis e de turistas não habituados ao calor úmido, especialmente porque as temperaturas noturnas devem permanecer elevadas.
Em Nova York, a sensação térmica pode atingir 43°C durante o dia, com picos de até 46°C nos subúrbios. Há também previsão de tempestades para sexta-feira. O prefeito da cidade, Zohran Mamdani, afirmou nas redes sociais que esta "pode ser a onda de calor mais extrema que a cidade enfrenta em mais de uma década". Ele foi alvo de críticas após recomendar que os moradores desligassem aparelhos eletrônicos não utilizados e ajustassem o ar-condicionado para 25,5°C, em vez de temperaturas mais baixas, como forma de evitar uma sobrecarga da rede elétrica.
O NWS em Nova York alertou para possíveis impactos nos serviços de fornecimento de eletricidade e abastecimento de água.
Na quarta-feira, a rede elétrica de Chicago operou sob "sobrecarga extrema", segundo a concessionária ComEd, que pediu aos consumidores que reduzissem imediatamente o consumo de energia.
As ondas de calor estão se tornando mais intensas e frequentes em todo o mundo em decorrência das mudanças climáticas, impulsionadas principalmente pela queima de carvão, petróleo e gás. A recente onda de calor histórica que atingiu grande parte da Europa é mais um exemplo dessa tendência.
Com AFP