Familiares de presos na Venezuela aguardam libertações após concessão da anistia

Familiares de presos políticos, acampados há dias em frente aos presídios venezuelanos, exigiram neste sábado (21) a libertação imediata das 379 pessoas beneficiadas pela anistia, conforme solicitação feita pelo Ministério Público à Justiça do país.

21 fev 2026 - 15h33

A medida faz parte do que a presidente interina, Delcy Rodríguez, definiu como um passo rumo a "uma Venezuela mais democrática, mais justa, mais livre". Ela assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em 3 de janeiro. A lei, no entanto, tem sido alvo de críticas de organizações de direitos humanos, que a consideram insuficiente e excludente.

O deputado Jorge Arreaza, que liderou a elaboração da lei promulgada na quinta‑feira (18), afirmou que os beneficiados "devem ser libertados entre esta noite (sexta‑feira) e amanhã de manhã (sábado)".

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Até o momento, os familiares não relataram nenhuma libertação. Eles estão acampados em frente aos centros de detenção há mais de um mês e meio, desde que Rodríguez anunciou a liberdade condicional que beneficiou 448 presos, segundo a ONG Foro Penal. Estimativas apontam que cerca de 650 permanecem atrás das grades.

"Queremos ir para casa, queremos voltar para nossas casas!", gritava um grupo na madrugada deste sábado diante da Zona 7. "Até quando esse abuso de poder vai continuar? Libertem‑nos, eles são todos inocentes!"

Uma fileira de policiais com escudos antimotim bloqueava o caminho. "São eles que deveriam nos pedir perdão, os que nos sequestraram, nos roubaram e violaram todos os nossos direitos humanos. Chega de abusos, de tortura, tanto interna quanto externa", disse Yessy Orozco, cujo pai está preso na Zona 7 da penintenciária.

Greve de fome

Um grupo de dez mulheres fez uma greve de fome que durou mais de cinco dias e hoje apenas uma manifestante continua sem comer na Zona 7 em um colchão. Nas proximidades do presídio El Rodeo I, nos arredores de Caracas, familiares temem que os presos sigam o exemplo. O presídio abriga aproximadamente 120 detidos, segundo a ONG Foro Penal.

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Muitos estão ligados a casos militares que foram excluídos da anistia. Há expectativa de que uma comissão parlamentar especial, encarregada de analisar os casos não abrangidos pela lei, possa beneficiá‑los.

A ONG denuncia o fato de que o período total coberto pela anistia corresponde, na realidade, a apenas 20 meses dos últimos 27 anos das presidências do ex-presidente Hugo Chávez (1999-2013) e de seu herdeiro político, Nicolás Maduro (2013-2026).

Com agências

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