Agência africana de saúde declara epidemia de ebola no leste da República Democrática do Congo

O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC) anunciou nesta sexta-feira (15) que uma nova epidemia de ebola está em curso no leste da República Democrática do Congo (RDC), uma região devastada por conflitos armados.

15 mai 2026 - 10h15

Com informações de Paulina Zidi, correspondente da RFI em Kinshasa

Agência africana de saúde declara epidemia de ebola no leste da República Democrática do Congo.
Agência africana de saúde declara epidemia de ebola no leste da República Democrática do Congo.
Foto: © twitter ministère Santé de Côte d'Ivoire (Santeci) / RFI

Após exames em laboratório, 13 casos foram confirmados e quatro mortes foram atribuídas ao vírus. O país também registrou outros 233 casos suspeitos, 65 deles fatais estão sendo investigados, segundo o Africa CDC.

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"Confirmamos uma epidemia de doença pelo vírus ebola na província de Ituri (...) Quatro mortes foram registradas entre os casos confirmados em laboratório", escreveu na rede social X a agência com sede na Etiópia.

O órgão ainda não tem certeza com qual cepa da doença está lidando, porém, já se sabe que não é a cepa Zaire, que no ano passado provocou uma epidemia no Cassai, província que fica no sul da República Democrática do Congo.

O vírus ebola é mortal em muitos casos, apesar das vacinas e tratamentos recentes. A transmissão entre humanos ocorre por meio de fluidos corporais, tendo como principais sintomas febre, vômitos, sangramentos e diarreia

As pessoas infectadas só se tornam contagiosas após o aparecimento dos sintomas, depois de um período de incubação que varia de dois a 21 dias.

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Nos últimos 50 anos, a febre hemorrágica altamente contagiosa causou 15 mil mortes na África. O surto mais letal na RDC, registrado entre 2018 e 2020, deixou 2.300 mortos de um total de 3.500 pessoas doentes.

Mobilização médica sob risco

O balanço inicial desta nova epidemia no leste da República Democrática do Congo parece bastante grave. A agência de saúde expressou sua "preocupação" com o "alto risco de maior propagação" devido ao contexto urbano da região e à insegurança na área.

Além da crise sanitária, a província de Ituri é afetada por diversos conflitos armados, entre comunidades no território de Djugu, e pela presença do grupo jihadista ADF no território de Irumu. Uma situação de insegurança que pode dificultar a mobilização da resposta médica.

A área afetada é uma região fronteiriça entre a RDC, o Sudão do Sul e Uganda, onde já ocorreram epidemias do vírus. O Sudão do Sul, inclusive, é uma das nações mais pobres do mundo, também devastada por conflitos e carecendo de infraestrutura.

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Por enquanto, as autoridades congolesas ainda não se pronunciaram sobre a situação. O tradicional Conselho de Ministros deve ocorrer nesta tarde desta sexta-feira. Já o Africa CDC anuncia, por sua vez, a realização de uma reunião de emergência nacional com as autoridades do Sudão do Sul e de Uganda. Uma coletiva de imprensa está prevista para o final do dia em Adis Abeba, na Etiópia.

RFI com AFP

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