Aurélie Kouman, correspondente da RFI em Antananarivo
Depois de tocar terra na madrugada de sábado (31), perto de Majunga, no noroeste da ilha, acompanhado de rajadas que chegaram a 210 km/h, o ciclone voltou ao mar enfraquecido e foi rebaixado à categoria de tempestade tropical moderada na manhã de domingo, 1º de fevereiro.
Nesse meio-tempo, Fytia atingiu a capital, Antananarivo, onde chuvas intensas caíram durante toda a noite, e alguns bairros ficaram totalmente submersos. Em certas áreas, moradores precisaram embarcar em carroças puxadas à mão, pagando 300 ariarys (cerca de R$ 3), para atravessar ruas totalmente alagadas.
Em outros bairros, os moradores estão dentro de casa com água até o joelho. É o caso de Sehène, uma avó que vive com dois netos. Ela teve que ir embora no meio da noite e descobriu pela manhã que uma das paredes havia desabado. "Não tenho para onde ir", diz.
"Estamos evacuando a população onde a subida das águas isolou alguns vilarejos e alguns bairros. Foram montados locais de acolhimento, e alimentos estão sendo distribuídos aos desabrigados", detalhou Haja Andriamitantsoa, diretor de operações do BNGRC, neste domingo.
Na capital, os estragos podem parecer limitados, mas, para as famílias que tiveram suas casas destruídas ou danificadas, o choque é brutal e representa uma dificuldade a mais em um cotidiano já muito precário.
"Estamos com chuva desde ontem, não parou. A água subiu e estamos sem energia, então as bombas não funcionam mais. Se continuar assim, vai ficar complicado, mas esperamos que a luz volte", contou Sidine Kaed, responsável por um restaurante local.
Cyclone Fytia : plus de 22000 sinistrés au nord de Madagascar pic.twitter.com/mIQsFjZA1g
— Mayotte la 1ère (@mayottela1ere) February 1, 2026
Vigilância sanitária
O BNGRC prometeu se "mobilizar" e informou que bombas para retirar a água parada serão disponibilizadas em caso de necessidade, embora os canais antigos da cidade fiquem saturados rapidamente.
As autoridades também pedem que a população de Antananarivo mantenha vigilância sanitária redobrada, já que a capital enfrenta uma epidemia de mpox, que pode complicar a situação nos próximos dias. Fytia é a quinta tempestade tropical registrada em Madagascar desde setembro de 2025, segundo o site da agência meteorológica nacional. A temporada de ciclones normalmente termina em março ou abril.