MP denuncia turista norte-americano por exploração sexual de menores no RJ

Floyd L. Wallace Jr, 30, está preso desde dezembro passado e é acusado de quatro crimes contra crianças e adolescentes

19 fev 2026 - 19h05
 Floyd Wallace Junior, de 30 anos, foi preso por suspeita de exploração sexual infantil no Brasil
Floyd Wallace Junior, de 30 anos, foi preso por suspeita de exploração sexual infantil no Brasil
Foto: Reprodução/TV Globo

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) ofereceu denúncia à Justiça contra o turista estadunidense Floyd L. Wallace Jr, 30, acusado da prática de múltiplos crimes de exploração sexual contra crianças e adolescentes na capital fluminense, cometidos em diferentes períodos de 2022 e 2023. 

A denúncia foi apresentada na última quarta-feira, 18, por meio da 3ª Promotoria de Investigação Penal Especializada. Segundo o MP-RJ, Wallace Jr atraía e induzia meninas em situação de vulnerabilidade com ofertas de dinheiro, celulares e outros bens. 

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A Promotoria aponta, ainda, que além do aliciamento contra vítimas já identificadas, há indicíos que o estadunidense também tenha envolvido outras crianças ainda não identificadas. 

Diante da gravidade dos fatos, da conduta que persistiu ao longo de anos e do risco concreto de fuga, por se tratar de estrangeiro, o MP-RJ pediu que a prisão temporária fosse convertida em preventiva. 

Ao todo, Wallace Jr foi denunciado por quatro crimes: favorecimento de exploração sexual de menores, estupro de vulnerável, registro não autorizado de nudez e produção e armazenamento de pornografia infantil, todos previstos no Código Penal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 

Floyd Wallace Junior, de 30 anos, foi preso por suspeita de exploração sexual infantil no Brasil
Foto: Reprodução/TV Globo

Denúncia de motorista de app

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Floyd L. Wallace Jr foi preso no fim de 2025 no bairro da Liberdade, em São Paulo. Sua captura foi possibilitada graças à denúncia de um motorista de aplicativo do RJ, que começou a ser investigada pela plataforma Uber no dia 8 de dezembro passado. 

O motorista aceitou a corrida em Jacaré, na zona norte do Rio, e, ao chegar no local, duas meninas entraram no banco traseiro. 

“Eu já fui começando a entender que se tratavam de crianças. Quando elas estavam em contato com a pessoa que pediu a corrida para elas, entre elas falavam: 'usa o google tradutor'. Essa coisa me chamou a atenção. Aí, então, eu comecei algumas perguntas, tipo: vocês sabem para onde vocês estão indo?'. E elas disseram que não. Foi começando a soar os alertas”, afirmou ao Fantástico.

O motorista passou a perguntar se as duas conheciam quem pediu a corrida, mas ele achou estranho ao ouvir que sim, enquanto as duas riam. “Eu passei um pouquinho do endereço de propósito e ele já estava do lado de fora”, explicou. Quem aguardava era Floyd. 

“Depois que eu deixei elas, eu ainda não fiquei totalmente confortável. Eu não tinha nenhuma evidência, nenhuma prova de crime. A minha preocupação máxima era essa: será que eu deixei essas duas crianças num perigo extremo? Eu não posso continuar a minha vida sem tomar nenhum tipo de providência", contou. 

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Então, ele parou em um posto de gasolina e fez uma denúncia para a plataforma. Com a queixa, a Uber passou a fazer uma investigação interna para saber quem era o usuário que pediu a corrida. A empresa comunicou as autoridades.

"A Uber fez uma análise pretérita, prévia da conduta desse passageiro, e verificou que ele tinha uma suspeita muito grande da prática de exploração sexual e de turismo sexual. Dessa vez, a primeira viagem que a gente teve acesso foi no dia 8 de dezembro, e a última delas, foi dia 19 de dezembro, momento em que ele se evadiu e foi para São paulo", explicou a delegada Maria Luiza Machado.

Apreensão de material pornográfico

Após a prisão, a polícia encontrou com câmeras escondidas com o turista – uma delas escondida em um relógio –, óculos de realidade virtual, bichos de pelúcia, cinco celulares, 12 pendrives e cartões de memória. “Ele possuía uma grande capacidade de produzir conteúdos”, reforçou a delegada. 

A polícia aponta que Floyd é influenciador e gravava as vítimas sem consentimento. Em um de seus canais na internet, ele fazia apologia à agressão contra policiais, enquanto no outro se apresentava como integrante do movimento ‘Passport Bro’.

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O movimento é conhecido por incentivar homens americanos e europeus a buscar relações sexuais em países considerados de terceiro mundo. Ainda conforme as autoridades, ele já tinha passagens por agressão, roubo e ameaça terrorista em três estados dos Estados Unidos. 

Os policiais apontam ainda que há suspeita de que ele tenha vitimado entre oito e 12 crianças no Rio. 

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Fonte: Portal Terra
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