Toffoli e Vorcaro se encontraram presencialmente ao menos dez vezes, diz site

A maioria dos encontros teria ocorrido em eventos realizados em Brasília, como jantares e festas

19 fev 2026 - 11h25
(atualizado às 12h40)
Os encontros entre o banqueiro e o ministro ocorreram entre 2023 e 2024
Os encontros entre o banqueiro e o ministro ocorreram entre 2023 e 2024
Foto: Divulgação/STF

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Dias Toffoli, ex-relator da investigação sobre o banco no Supremo Tribunal Federal (STF), se encontram presencialmente ao menos dez vezes. Isso é o que mostra, segundo a colunista Natália Portinari, do UOL, relatório encaminhado pela Polícia Federal (PF) ao STF.

De acordo com a PF,  os encontros entre o banqueiro e o ministro, que ocorreram entre 2023 e 2024, indicam uma relação de amizade além do que mostra a conversa entre os dois no WhatsApp.

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Segundo a apuração, a maioria desses encontros teria ocorrido em eventos realizados em Brasília (DF), como jantares e festas, conforme indicariam mensagens analisadas pela investigação.

Toffoli deixou a relatoria dos casos do Banco Master na semana passada após a PF entregar a Edson Fachin, presidente do STF, um relatório sobre a relação do ministro com Vorcaro, réu no processo. 

Também na semana passada, Toffoli confirmou que fez negócios com um fundo de investimentos ligado a Vorcaro, porém disse que não tem "relação de amizade" com o banqueiro.

Procurado pelo Terra para comentar sobre esses encontros, o gabine do ministro Dias Toffoli não respondeu. 

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Como começou a relação entre Toffoli e o caso Master?

A PF investiga fraudes financeiras relacionadas ao Master desde 2024. A liquidação extrajudicial da instituição foi decretada pelo Banco Central (BC) em 18 de novembro, após a prisão de Vorcaro, que tentava deixar o País. Dez dias depois, Toffoli foi escolhido, por sorteio, para ser o relator da Operação Compliance Zero no STF. 

No mesmo dia em que foi escolhido como relator do caso, Toffoli viajou em um jato particular do empresário Luiz Oswaldo Pastore para Lima, no Peru, para assistir à final da Copa Libertadores da América. No mesmo voo, estava o advogado Augusto Arruda Botelho, que representa o ex-diretor de Compliance do Master, Luiz Antonio Bull.

Menos de um mês depois, o ministro marcou para 30 de dezembro uma acareação entre Vorcaro, o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a suspensão da acareação, mas teve a solicitação negada por Toffoli. Três dias antes da data marcada, o BC protocolou no STF um pedido de esclarecimentos direcionado ao ministro. Em 29 de dezembro, Toffoli voltou atrás e deu autonomia para que a PF decidisse sobre a necessidade da acareação.

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A crise em torno da relação de Toffoli com o Master se agravou após a revelação de vínculos de familiares do ministro com pessoas relacionadas ao banco. O jornal do Estado de S. Paulo mostrou que os irmãos de Toffoli, José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, foram sócios no resort Tayaya, em Ribeirão Claro (PR), por meio da empresa Maridt Participações S.A.

Eles venderam uma participação milionária no empreendimento ao Arleen Fundo de Investimentos, da Reag Investimentos, investigada por abrigar estruturas de fundos ligados ao Master e suspeitos de sonegação bilionária no mercado de combustíveis.

O único cotista do Arleen era o fundo de investimentos Leal, que, por sua vez, tinha como único cotista o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

Toffoli confirmou, em nota divulgada no dia 12 deste mês que é sócio anônimo da Maridt e recebeu dividendos, mas afirmou que a empresa é de caráter familiar e que, embora integre o quadro societário, a administração fica a cargo de seus familiares. (*Com informações do Estadão Conteúdo)

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Fonte: Portal Terra
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