O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou que vai protocolar uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra supostos crimes cometidos pelo Partido dos Trabalhadores na Marquês de Sapucaí. A declaração vem após a homenagem feita pela escola Acadêmicos de Niterói ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em desfile na noite de domingo, 15, no Rio.
"Nossa ação contra os crimes do PT na Sapucaí, com dinheiro público, será protocolada rapidamente no TSE! Além dos ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a FAMÍLIA!", escreveu Flávio, em publicação na rede social X.
Como mostrou o Estadão, a homenagem a Lula também se transformou em uma sátira a adversários. Na comissão de frente, ao exibir os momentos de trocas de faixa, o ex-presidente Michel Temer (MDB) aparece arrancando a faixa da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), de quem foi vice. Já Jair Bolsonaro (PL) é representado por um ator caracterizado como o palhaço Bozo e, posteriormente, surge preso entre as grades.
Na noite deste domingo, Flávio Bolsonaro já havia feito críticas ao presidente Lula, afirmando que ele "esfola o povo com aumento de impostos e usa esse mesmo dinheiro arrecadado para fazer campanha antecipada para ele mesmo". Outros integrantes da oposição adotaram discurso semelhante. O Partido Novo disse que pretende acionar a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade do presidente em razão do desfile.
"O desfile é uma peça de propaganda do regime Lula. Financiada com o seu dinheiro. Vamos à Justiça Eleitoral buscar a inelegibilidade", afirmou o Novo em sua conta no X.
As críticas também partiram da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que reagiu à referência feita pela escola de samba à prisão do marido. "Só para registrar um fato histórico: quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial, não opinião", escreveu Michelle, nas redes sociais.
As acusações de propaganda eleitoral antecipada levaram a primeira-dama Janja Lula da Silva a desistir de participar do desfile da Acadêmicos de Niterói, enquanto integrantes do governo passaram a adotar um tom mais discreto no evento. Ministros que acompanharam Lula na Marquês de Sapucaí evitaram postagem nas redes durante o desfile, assim como o próprio presidente e a primeira-dama.
Para entender o caso, todas as 12 agremiações do grupo especial do carnaval do Rio receberam R$ 1 milhão. Os recursos públicos vieram de um repasse da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), proveniente de verba da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur).
Além disso, das 12 escolas do grupo especial do Rio de Janeiro, oito receberam autorização do governo federal para captar recursos pela Lei Rouanet. A Acadêmicos de Niterói foi liberada para captar R$ 5,1 milhões, mas desistiu de levantar os recursos por causa do prazo curto até o carnaval. A Rouanet funciona por incentivo fiscal, o que quer dizer que os beneficiados devem angariar recursos com patrocinadores, que em troca ganham abatimento de impostos.