Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como 'Japa do Crime', pede à Justiça a retirada da tornozeleira eletrônica, argumentando que o uso prolongado do dispositivo se tornou "tortura psicológica"; sua defesa questiona a ausência de provas suficientes para denúncia e aponta impactos negativos em sua vida.
A defesa de Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como 'Japa do Crime' e investigada por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), pediu à Justiça a retirada da tornozeleira eletrônica. A alegação é de que ela usa o equipamento há quase dois anos, sem ser denunciada, e que a medida se tornou “instrumento de punição e tortura psicológica”.
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Karen é investigada por lavar dinheiro para a facção e foi presa em fevereiro de 2024 com mais de R$ 1 milhão e US$ 50 mil, mas teve a prisão convertida em domiciliar por conta do filho, de 13 anos. Posteriormente, a prisão foi revogada e foram impostas medidas cautelares, como uso de tornozeleira.
No pedido ao qual o Terra teve acesso, o advogado Telles Rodrigo Gonçalves aponta que o Ministério Público declinou pelo indiciamento dela após a conclusão do inquérito policial, por entender que não havia elementos suficientes que comprovem o crime de lavagem de dinheiro. O MP pediu, então, que novas diligências fossem realizadas.
A defesa sustenta ainda que, durante todo esse tempo, não houve qualquer tentativa de fuga ou descumprimento das ordens judiciais. Gonçalves ainda afirma que manter a medida nessas condições, “além de violenta e degradante, tem causado danos irreparáveis à vida pessoal, emocional e profissional de Karan”, que tenta reconstruir sua rotina dentro dos limites impostos pela Justiça.
“O uso indiscriminado e falho da tornozeleira transformou-se em verdadeiro instrumento de punição e tortura psicológica, restringindo a liberdade de forma mais severa do que o necessário e aniquilando qualquer chance de retomada digna de sua vida, em manifesta afronta aos princípios da proporcionalidade, da presunção de inocência e da dignidade da pessoa humana”, diz um trecho do documento.
A defesa também destaca que o tempo de pena mínima para o crime de lavagem de dinheiro é de três anos, e que Karen já passou o equivalente a mais da metade sob monitoramento. O Ministério Público se manifestou pela manutenção contra o pedido de revogação da medida, mas o caso segue sendo avaliado pela Justiça.
Quem é a "Japa do crime"?
Segundo o inquérito policial, a "Japa do crime" atuava na lavagem de dinheiro da organização, em cidades como Santos, Cubatão e Guarujá, na Baixada Santista, e também na cidade de São Paulo, de acordo com a Polícia Civil.
A princípio, ela usava comércios na área da beleza, de imóveis, e uma empresa do seu irmão para lavar o dinheiro da facção.
A investigação começou em junho de 2023. Nesse sentido, a polícia afirma que todos os indícios coletados apontam que ela é a responsável por lavar grande parte do dinheiro da facção criminosa na Baixada Santista.
Ela é viúva de Wagner Ferreira da Silva, o 'Cabelo Duro', executado em 2018 e apontado como um dos principais chefes do PCC.
Para a Polícia Civil, Karen afirmou desconhecer os trabalhos ilícitos do marido. Além disso, ela afirmou que nunca recebeu qualquer quantia financeira vinda dele e que não conhece nenhum integrante de organização criminosa, inclusive do PCC.