O senador Flávio Bolsonaro (PL) usou um passaporte italiano para entrar na Argentina, onde acessou um jato para fugir com sua família aos Estados Unidos, mostraram os registros migratórios do país vizinho obtidos pelo Estadão. Bolsonaro, então, deixou o aeroporto de Puerto Iguazú às 23h52 de terça-feira, 27.
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A informação consta no registro de saída de movimentação migratória na Argentina. O documento, segundo a reportagem, foi emitido com o passaporte italiano do senador e comprova formalmente que Flávio só viajou com destino aos EUA na noite de terça-feira.
Durante a madrugada, o governo da Argentina divulgou uma nota em que informou que Flávio Bolsonaro havia ingresso à noite no país pela fronteira terrestre com o Brasil, acompanhado de sua família, e embarcado em um voo. A nota limitou-se a informar que ele usou um documento de viagem legal.
De Puerto Iguazú, Flávio e a família embarcaram em um jato executivo Gulfstream G400, pertencente a uma empresa de táxi aéreo. Registros indicam que a aeronave deixou o aeroporto argentino à 0h21 desta quarta-feira, 28, desviou do espaço aéreo brasileiro e pouso para reabastecimento em Guaiaquil, no Equador, às 3h46. Pouco depois, decolou com destino aos Estados Unidos, onde pousou na manhã desta quarta.
Flávio fugiu do Brasil após uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) o proibir de deixar o país e ordenar a entrega de passaportes, no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.
O governo dos EUA confirmou na terça-feira, 27, que emitirá vistos para Flávio e familiares e permitirá que eles entrem no país. O presidente Donald Trump afirma que houve fraude nas eleições brasileiras, sem provas. Ele também disse que aprova a ida do senador para o país norte-americano.
Investigação
Flávio Bolsonaro é investigado pelo STF em casos que envolvem suspeitas que envolvem irregularidades no financiamento de um filme sobre o ex-presidente e pai dele, Jair Bolsonaro, chamado Dark Horse. A investigação mira repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, à produção dinematográfica.
Já a outra investigação liga Flávio Bolsonaro a um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo casas de apostas. O sigilo telemático do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, foi quebrado, revelando e-mails que diziam que o senador foi cadastrado como "usuário master" de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz.
Segundo o relatório da PF, há elementos que indicam vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto. A empresa foi a primeira a ser autorizada pela Loterj, do Rio de Janeiro, para realizar apostas esportivas de cota fixa no estado, como as conhecidas bets.