O avião Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e sua família em fuga aos Estados Unidos, desviou do espaço aéreo brasileiro para evitar eventuais interceptações. O registro foi disponibilizado pela plataforma de monitoramento FlightRadar, que indicou que o jato executivo pousou em solo estadunidense às 10h25 desta quarta-feira, 28, no horário de Brasília (9h25, no horário local).
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O registro indica que a aeronave deixou o Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, na região de Misiones, na Argentina, às 23h25 da última terça-feira. De lá, sobrevoou o território do Paraguai, da Bolívia e do Peru antes de pousar em Guayaquil, no Equador, de onde decolou com destino aos Estados Unidos.
A legislação relativa à Aviação Civil permite que a Força Aérea Brasileira (FAB) intercepte aeronaves em situação suspeita que sobrevoem o território nacional, além de exigir o pouso antes de permitir o restante da viagem.
Fuga de Flávio Bolsonaro
A partir de Guayaquil, Flávio Bolsonaro viajou com a esposa e as duas filhas até Miami, na Flórida. O voo foi operado pela companhia aérea Baires Fly, fundada em Buenos Aires, na Argentina, que realiza o fretamento de aviões particulares para tansporte de passageiros e carga.
Flávio fugiu do Brasil após uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) o proibir de deixar o país e ordenar a entrega de passaportes, no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.
O senador e a família cruzaram a fronteira com a Argentina na noite de terça-feira, 27, pouco antes das 23h, segundo a Direção Nacional de Migrações argentina.
O órgão detalhou que os quatro entraram na Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Missões, que faz fronteira com Foz do Iguaçu. Eles apresentaram documentos de identidade e não havia nenhum impedimento legal para o ingresso da família no país naquele momento.
Depois, às 23h30 do mesmo dia, Flávio e a família embarcaram em uma aeronave com destino a Guaiaquil, de onde, na manhã desta quarta, voaram para os Estados Unidos.
O governo dos EUA confirmou na terça-feira, 27, que emitirá vistos para Flávio e familiares e permitirá que eles entrem no país. O presidente Donald Trump afirma que houve fraude nas eleições brasileiras, sem provas. Ele também disse que aprova a ida do senador para o país norte-americano.
Investigação
Flávio Bolsonaro é investigado pelo STF em casos que envolvem suspeitas que envolvem irregularidades no financiamento de um filme sobre o ex-presidente e pai dele, Jair Bolsonaro, chamado Dark Horse. A investigação mira repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, à produção dinematográfica.
Já a outra investigação liga Flávio Bolsonaro a um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo casas de apostas. O sigilo telemático do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, foi quebrado, revelando e-mails que diziam que o senador foi cadastrado como "usuário master" de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz.
Segundo o relatório da PF, há elementos que indicam vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto. A empresa foi a primeira a ser autorizada pela Loterj, do Rio de Janeiro, para realizar apostas esportivas de cota fixa no estado, como as conhecidas bets.