A oposição argentina cobra explicações do governo de Javier Milei sobre a passagem de Flávio Bolsonaro pelo país antes de fugir para os EUA via Equador. Parlamentares suspeitam do uso de aeronave privada e acusam a gestão de cumplicidade na fuga de um investigado pelo STF por lavagem de dinheiro e corrupção. A oposição exige investigações judiciais e alerta que o caso pode ferir a reputação internacional da Argentina e prejudicar as relações diplomáticas com o Brasil, seu maior parceiro comercial.
Integrantes da oposição na Argentina ficaram indignados e cobraram explicações do governo de Javier Milei nesta quarta-feira (28), após a confirmação de que Flávio Bolsonaro passou pelo país antes de seguir para o Equador e, posteriormente, fugir para os Estados Unidos.
Parlamentares questionam as circunstâncias da saída de Flávio, derrotado nas urnas pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo (25), e pedem esclarecimentos sobre uma possível viagem em aeronave privada, com destino a Miami.
O grupo acusa a administração de Milei de possível cumplicidade na saída de um brasileiro procurado pela justiça e de agravar os danos às relações diplomáticas com o principal parceiro comercial da Argentina.
O deputado nacional socialista Esteban Paulón apresentou um requerimento de informação para que o "Poder Executivo nacional preste esclarecimentos sobre a possível entrada do cidadão brasileiro Flávio Bolsonaro em território argentino, bem como sobre sua suposta saída do país a bordo de um voo privado com destino aos Estados Unidos".
O presidente do Partido dos Trabalhadores da Argentina, Gabriel Solano, também cobrou uma investigação judicial. "Esperamos que o governo ? que afirma ter expulsado 30 mil terroristas ? não esteja, agora, atuando como cúmplice de um fugitivo", declarou.
Solano defendeu que a Justiça apure se Milei colaborou com Flávio Bolsonaro para facilitar sua saída do Brasil.
Já Juan Grabois, legislador da coalizão peronista Fuerza Patria, criticou a atuação do presidente argentino e afirmou que Milei prioriza interesses pessoais e posições ideológicas em detrimento do interesse nacional.
Na avaliação de Grabois, o episódio pode prejudicar as relações com o Brasil e comprometer a reputação internacional da Argentina.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, é investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). O primeiro apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo seu amigo e advogado Willer Tomaz, enquanto que o segundo investiga uma suposta corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento, pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do filme "Dark Horse", cinebiografia de Bolsonaro. .