Após afirmar que escolheria uma mulher para ocupar a vaga de vice em sua chapa, o senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta quarta-feira, 5, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL) como candidato a vice-presidente na disputa pelo Palácio do Planalto. O nome foi confirmado durante uma coletiva de imprensa, em Brasília.
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Ao apresentar Gaspar como integrante de sua chapa, Flávio ressaltou a trajetória do deputado federal, dando ênfase à sua atuação na área da segurança pública e à representatividade política no Nordeste. "É uma pessoa que eu aprendi a admirar, todos vocês aqui aprenderam a admirar pela coragem, honestidade, pela sua história em frente à segurança pública", disse o senador.
Em seguida, ele acrescentou: "Alguém que já foi promotor de Justiça, chefe de ministério público do seu estado. Alguém que enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPMI do INSS. Alguém que pediu a prisão do Lulinha porque tinha culpa no cartório. E alguém que representa o Nordeste de fato".
Em seu discurso, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Flávio e o senador Rogério Marinho (PL) já haviam escolhido o nome de Alfredo Gaspar para a vaga de vice-presidente "há seis meses". "Você fez uma escolha maravilhosa", disse Valdemar. "Seu pai deve estar orgulhoso de você", acrescentou.
A declaração, no entanto, ocorre um dia após a oficialização de Gaspar como candidato ao Senado pelo PL de Alagoas, durante a convenção estadual da legenda em Maceió. O anúncio da escolha para a vice-presidência também foi feito um dia depois de Flávio afirmar que ainda havia tempo para "avançar com essa novela" e que o nome do vice seria definido até 15 de agosto, data limite para o registro das chapas na Justiça Eleitoral.
Já Gaspar usou sua fala para agradecer a confiança de Flávio e afirmar que irá atuar ao lado do senador para "transformar o país". O deputado também destacou sua trajetória pessoal e fez referência a Jair Bolsonaro ao dizer sentir falta do próprio pai, que já faleceu, e do ex-presidente, que disse estar "em cativeiro". "Vossa Excelência escolheu uma pessoa simples, nordestina, mas com uma história de vida de muito trabalho", disse. "E estar aqui, de cabeça erguida, para dizer que ao seu lado marcharei para a gente transformar esse Brasil num local justo e decente", acrescentou.
Escolha de vice foi marcada por impasses e negociações frustradas
O anúncio também reuniu nomes que chegaram a ser considerados para integrar a chapa presidencial, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques (Republicanos). As duas eram cotadas para a vaga de vice dentro da estratégia da campanha de Flávio de ampliar o diálogo com o eleitorado feminino, que representa mais de 52% dos eleitores brasileiros.
A possibilidade, no entanto, perdeu força após as siglas às quais elas são filiadas optarem pela neutralidade na disputa presidencial. Mesmo fora da composição da chapa, ambas participaram do evento e fizeram breves manifestações de apoio à candidatura do senador.
A escolha de Alfredo Gaspar, portanto, representou uma mudança em relação ao discurso adotado anteriormente por Flávio, que havia afirmado publicamente dar preferência a uma mulher para ocupar a vice-presidência. Há poucos dias, o senador chegou a dizer a jornalistas, ao desembarcar em seu comitê de campanha em São Paulo, que o nome de Tereza Cristina para a vaga já estava definido e dependia apenas do aval do Progressistas. Horas depois da declaração, no entanto, o partido voltou a reforçar que permaneceria neutro na disputa presidencial, frustrando os planos de Flávio de tê-la como candidata a vice.
A oficialização de Gaspar encerra um período marcado por indefinições, mudanças de cenário e dificuldades para consolidar apoios entre partidos aliados. Durante as negociações, o PL trabalhou com a possibilidade de reservar a vaga de vice a um nome indicado por siglas de centro e de direita, como o Republicanos e a federação formada por União Brasil e Progressistas. A alternativa, porém, perdeu força depois que essas legendas optaram por não apoiar nenhum candidato na disputa pelo Palácio do Planalto.
Mesmo sem aliança, Flávio diz ter apoio de lideranças do Republicanos
Durante sabatina promovida pelo G4 e pelo portal O Antagonista, em São Paulo, nesta terça-feira, Flávio afirmou que a decisão do Republicanos de permanecer neutro na disputa presidencial não altera o apoio que, segundo ele, recebe das principais lideranças da legenda.
Embora a executiva nacional do Republicanos tenha optado pela neutralidade em convenção realizada em Brasília no mesmo dia, o senador disse que nomes de destaque da sigla já integram sua campanha. "Os caciques políticos estão com algumas preocupações, mas os principais quadros desse partido estão com a gente nesse projeto", afirmou.
Entre os exemplos citados por Flávio está a ex-presidente da Caixa Econômica Federal (CEF) Daniella Marques, filiada ao Republicanos. Segundo ele, ela seria sua escolha para a vaga de vice-presidente caso houvesse uma aliança formal entre as legendas. O candidato também mencionou o governador Tarcísio de Freitas e os senadores Cleitinho Azevedo (MG) e Damares Alves (DF) como integrantes de seu palanque.
Flávio ainda afirmou que contará com o apoio de lideranças do Progressistas. Entre os nomes citados estão o deputado federal Guilherme Derrite, a senadora Tereza Cristina e a deputada Simone Marquetto. Apesar de minimizar os efeitos da neutralidade do Republicanos, o candidato disse que seguirá buscando um acordo com a legenda até o prazo final para o registro das candidaturas.