Quem será o vice de Flávio? Impasses refletem enfraquecimento, apontam cientistas políticos
Nome será revelado nesta quarta-feira, 5, em coletiva de imprensa em Brasília, às 11 horas, afirmou a equipe de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro enfim terá um vice para sua chapa pela Presidência da República e o nome será oficializado nesta quarta-feira, 5. O anúncio de que alguém foi definido aconteceu horas depois do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmar que ainda teria dias para “avançar com essa novela”. A demora, envolta de clima de incertezas, vais e vens e falta de apoio entre aliados, reflete um enfraquecimento da campanha de Flávio, apontam cientistas políticos ouvidos pelo Terra.
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Desde que foi apontado como sucessor de seu pai, o que Flávio tem defendido é que sua chapa seja composta com uma mulher como vice. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, também mantém esse discurso. Nos bastidores, aliados ouvidos pelo Terra indicam que a expectativa é de que seja anunciada uma mulher vinculada ao PL.
A indicação do candidato a vice costuma ter pouco peso direto para o eleitor, mas tem importância: é o que transmite um sinal da capacidade do candidato em compor seus apoios, o que pode se refletir em seu governo. E, nisso, Flávio não tem passado ileso. É o que explica Hilton Fernandes, cientista político e professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).
“Do ponto de vista estratégico, a vaga de vice é importante justamente para negociar o apoio de outros partidos, que podem garantir a presença em um eventual governo, mas Flávio não conseguiu atrair nem mesmo os partidos mais próximos. Essa situação pode indicar que os partidos não estão confiando que a candidatura de Flávio terá sucesso, ou, o que é pior, podem estar pressionando para que o senador desista de seguir candidato à presidência, o que o deixa ainda mais vulnerável na campanha eleitoral”, entende.
Para Fernandes, o fato de Flávio Bolsonaro não ter anunciado o vice na convenção partidária do Partido Liberal, que aconteceu no último dia 25, quando ele foi oficializado candidato, já fez com que sua campanha começasse demonstrando fragilidade – o que foi reforçado pela não adesão oficial de partidos relevantes à sua candidatura, como Progressistas e Republicanos.
‘Espaço para especulações’
Quanto maior a indefinição, maior o espaço para especulações, aponta Helcimara Telles, presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (ABRAPEL) e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Nisso, para ela, a demora tem efeitos ambivalentes.
“Por um lado, amplia a margem de negociação com partidos e lideranças, permitindo a construção de uma chapa potencialmente mais competitiva. Por outro lado, quanto maior a indefinição, maior o espaço para especulações. A ausência de um anúncio pode ser interpretada como um indicativo de dificuldades nas negociações, de impasses internos ou mesmo de resistência de nomes considerados estratégicos para compor a chapa”, avalia a especialista.
Dessa forma, o impacto dessa demora irá depender da forma como a situação será resolvida: “Se o anúncio do vice vier acompanhado de um acordo político relevante, a espera pode ser interpretada como parte de uma estratégia de negociação. Se, ao contrário, a percepção pública pode migrar da ideia de cautela para a de dificuldade de articulação política”, acredita.
Vice vai ser definitivo?
Teoricamente, o prazo para que os candidatos sejam registrados na Justiça Eleitoral termina no dia 15 de agosto. Mas, em meio ao atual cenário, Paulo Ramirez, cientista político da ESPM, avalia que o nome escolhido para ser o vice de Flávio em um primeiro momento não necessariamente deverá ser o que seguirá ao seu lado durante toda a corrida eleitoral. Isso porque, caso haja algum motivo de ‘força maior’, é possível substituir o nome ao longo da campanha.
“Ele [Flávio] deve escolher um nome irrelevante em um primeiro momento até fazer essa troca. Isso pode ser bem possível desde que haja um motivo de força maior e me parece que esse vai ser o caminho. Outra possibilidade é de que, não sendo permitido que ele altere esse vice mesmo que após o prazo, ele jogue a Justiça Eleitoral contra a opinião pública”, aponta.
Para Ramirez, “pode ser uma estratégia do bolsonarismo tentar se vitimizar simplesmente porque não foi competente o suficiente para escolher o vice”. Sobre o impacto da demora, ele também interpreta que tudo vai depender da forma como Flávio vai lidar com o dilema.
O que estaria por trás dos impasses, avalia o cientista político, é o fato de partidos de centro aliados de Bolsonaro não quererem firmar formalmente um apoio a Flávio em meio a desdobramentos do caso Master e do tarifaço do governo Trump, dos Estados Unidos. “Medo explícito de terem um resultado negativo nas urnas por atrelarem os seus nomes e imagens com Flávio Bolsonaro”.
Outro ponto que vê como central, é se, realmente, o vice escolhido irá agradar o eleitorado feminino – que tem representado a grande disputa dessas eleições. Se Flávio cumprir sua palavra e formar chapa com uma mulher, quem será essa mulher? “Certamente vai ser uma conservadora, o que deve desagradar uma parte das mulheres mais moderadas e minimamente progressistas, que são exatamente o público mais indeciso que a gente tem, conforme apontam as pesquisas”.
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