Quem é Alfredo Gaspar, relator da CPI do INSS, ex-chefe do MP de Alagoas e alvo de acusações
Deputado federal, Alfredo Gaspar (PL-AL) foi relator da CPI do INSS e construiu carreira no Ministério Público antes de ingressar na política. Nesta semana, foi acusado de estupro de vulnerável pelo deputado Lindbergh Farias e pela senadora Soraya Thronicke; ele nega
O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) ganhou projeção nos últimos meses como relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS. Em primeiro mandato e na oposição, ele se define como "de direita, com muito orgulho" e tem trajetória no Ministério Público de Alagoas, onde integrou grupos de combate ao crime organizado e chegou ao cargo de procurador-geral de Justiça do Estado.
Conhecido pelos embates com o campo governista, o parlamentar se viu no centro de nova polêmica na sexta-feira, 27, após o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) o acusarem de estupro e tentativa de suborno. Os dois enviaram à Polícia Federal (PF) um pedido de investigação contra o deputado, que nega as acusações.
Com atuação voltada à segurança pública, Gaspar é titular da Comissão de Constituição e Justiça e suplente nos colegiados de Relações Exteriores e de Segurança Pública. Até o momento, teve dois projetos aprovados e convertidos em lei, entre eles o que institui o Dia Nacional do Policial Penal.
Na mesma área, também é autor de um projeto de lei apresentado em 2023 que endurece as regras para progressão de regime de condenados por crimes sexuais, ainda não votado em plenário.
No campo político, já no primeiro semestre de 2025, ele causou dores de cabeça ao governo ao ser designado relator da representação apresentada pelo PL para travar a tramitação da ação penal julgada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o agora ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).
Na mesma linha, também fez ataques diretos ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em temas econômicos, como no caso do tarifaço imposto por Donald Trump a produtos brasileiros, além de críticas a aumentos de impostos. Gaspar foi eleito pelo União Brasil e mudou recentemente para o PL.
Apesar de estar em seu primeiro mandato, o deputado ganhou protagonismo ao assumir, no fim do ano passado, a relatoria da CPI do INSS. Em entrevista ao Estadão, ele afirmou, na época, estar convicto de que a investigação apontaria relações entre parlamentares e investigados no esquema de descontos ilegais em aposentadorias.
No relatório final, o parlamentar pediu o indiciamento de mais de 200 pessoas, entre elas o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. O texto, no entanto, foi rejeitado em votação, e a comissão não foi prorrogada.
Gaspar é advogado de formação e atuou por 24 anos como promotor de Justiça em Alagoas. Em 2015, ingressou na política, quando foi convidado pelo então governador Renan Filho (MDB), hoje ministro dos Transportes, para assumir a Secretaria de Estado da Defesa Social, afastando-se temporariamente do MP.
No ano seguinte, retornou ao Ministério Público após o Supremo decidir que membros da instituição não podem ocupar cargos políticos no Executivo. Ainda em 2016, foi eleito procurador-geral de Justiça de Alagoas, cargo para o qual foi reconduzido em 2019 e no qual permaneceu até março de 2020, quando pediu exoneração. Também presidiu o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas, colegiado que integra o Conselho Nacional de Procuradores-Gerais, formado por membros dos Ministérios Públicos dos Estados e da União.
Após deixar o MP, disputou a Prefeitura de Maceió em 2020, mas foi derrotado por João Henrique Caldas (JHC).Em 2021, assumiu a Secretaria de Segurança Pública do Estado. Um ano depois, foi eleito deputado federal com 102.039 votos, tornando-se o segundo mais votado de Alagoas e o mais votado da capital.
Acusação de estupro
Lindbergh Farias e Soraya Thronicke acusam Alfredo Gaspar de ter estuprado, há oito anos, uma adolescente de 13 anos, que teria engravidado. Segundo eles, a vítima hoje tem 21 anos e a criança, 8. As acusações foram feitas durante sessão da CPI do INSS, na sexta-feira.
Os parlamentares afirmam ter encaminhado à PF provas como prints de conversas e outras informações que indicariam tentativa de compra de silêncio por parte de um intermediador ligado a Gaspar. De acordo com o relato, teriam sido pagos R$ 70 mil à vítima, com outros R$ 400 mil em negociação.
No pedido à PF, solicitam que a investigação ocorra sob sigilo, a preservação das provas, a proteção à vítima e às testemunhas e a apuração de possíveis crimes, como estupro de vulnerável e fraude processual.
Gaspar nega as acusações e afirma que o caso envolve um primo, que teria mantido relação com uma mulher de 21 anos em Alagoas quando ainda era menor de idade.
Soraya e Lindbergh, por sua vez, mantêm as acusações, dizem que o caso é distinto do citado pelo deputado e defendem a realização de exame de DNA como forma de esclarecer o episódio. Neste sábado, 28, a senadora afirmou que pedirá desculpas públicas ao deputado caso o exame não confirme a acusação de estupro.
O deputado pretende prestar queixa na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e na Comissão de Ética da Câmara contra Lindbergh e Soraya nesta segunda-feira, 30.