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Professores da USP entram em greve em apoio aos estudantes e por valorização salarial

A decisão da categoria de paralisar as atividades foi realizada durante uma Assembleia Geral convocada pela Adusp, a Associação de Docentes da Universidade de São Paulo

25 mai 2026 - 18h50
(atualizado em 26/5/2026 às 00h10)

Professores da Universidade de São Paulo (USP) decidiram nesta segunda-feira, 25, entrar em greve e cruzar os braços em apoio aos estudantes, que estão paralisados desde o mês passado, e também por melhorias salariais. A decisão da categoria de paralisar as atividades foi realizada durante uma Assembleia Geral convocada pela Adusp, a Associação de Docentes da Universidade de São Paulo.

Os docentes estão em campanha salarial e pedem reajuste nos vencimentos. Contudo, entre as pautas, está também a retomada das negociações da reitoria com os alunos, incluindo um avanço na proposta de valorização do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Papfe), além da não criminalização do movimento estudantil.

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Professores da USP decidiram entrar em greve nesta segunda-feira, 25
Professores da USP decidiram entrar em greve nesta segunda-feira, 25
Foto: Nilton Fukuda/Estadão / Estadão

Procurada, a USP ainda não se manifestou sobre a decisão. O espaço segue aberto e será atualizado em caso de posicionamento da universidade.

Com relação às melhorias salariais, os professores contestam o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), que chegou a determinar um reajuste salarial de 2% inicialmente e depois aumentou para 3,47%, que corresponde à inflação dos últimos doze meses medida pelo IPC-Fipe.

As alternativas não foram aceitas pela Adusp, que apresentou uma contraproposta: aumento de 7,3%, que inclui reajuste pelo IPCA, medido pelo IBGE, que atingiu 4,39% nos últimos doze meses, mais 3%. A categoria justifica o pedido como forma de recuperar as perdas salariais, tendo como referência o poder de compra de maio de 2012.

Durante a assembleia, chegou a ser levantada a hipótese de uma paralisação nesta terça, 26, seguida de indicativo de greve. A opção, no entanto, foi vencida pela proposta de paralisar as atividades de maneira imediata. A categoria votou e definiu também uma nova assembleia entre os docentes para a próxima segunda-feira, 1° de junho.

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A categoria docente também definiu que, nesta terça, realizará uma vigília em frente à reitoria no período da tarde, durante a reunião do Conselho Universitário.

O encontro será realizado para, na palavra dos professores, reivindicar a retirada da pauta do índice de reajuste proposto pelo Cruesp e recusado pelo Fórum das Seis (entidade que representa os docentes na negociações).

A paralisação dos professores acontece em um momento de estagnação nas negociações entre reitoria e estudantes, que estão em greve há mais de um mês, mas também de aumento de pressão por parte de algumas entidades sobre os alunos.

Na última sexta, 22, diretoria do Instituto de Física da da universidade (IFUSP) publicou um comunicado convocando os estudantes a retornarem às aulas nesta segunda, 25, e que, em caso de descumprimento, haveria o risco de perda do semestre letivo e até cancelamento de matrícula no caso dos calouros.

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"Com a continuidade da paralisação das aulas de graduação e a falta de perspectiva ou sinalização de mudança do calendário escolar, haverá a perda do semestre letivo e com isto os calouros terão suas matrículas canceladas, perdendo o vínculo com a USP", disse a entidade em seu canal oficial na rede social.

O Centro Acadêmico do Instituto de Física da USP (Cefisma) respondeu por meio de nota alegando que o tom da mensagem da diretoria é "alarmista" e que há uma negociação com o Conselho de Graduação em andamento.

Greve estudantil

Em greve há mais de um mês, os estudantes aprovaram a paralisação em 14 de abril. Liderado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), o movimento acompanhou a mobilização de servidores, que também cruzaram os braços no mês passado em protesto contra uma gratificação anunciada pela universidade exclusivamente para professores.

Após pressão e mobilização, os servidores conseguiram avanços salariais e encerraram a paralisação. Os estudantes, porém, decidiram manter a greve e passaram a concentrar esforços em suas próprias reivindicações.

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A principal demanda é o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Papfe), que atualmente oferece benefícios que vão de R$ 335 para estudantes residentes em moradia estudantil a R$ 885 para auxílio integral.

A USP propôs um reajuste baseado no índice IPC-FIPE. Dessa forma, o auxílio integral passaria para R$ 912 mensais, enquanto o auxílio parcial para estudantes com moradia subiria para R$ 340. A proposta, no entanto, é considerada insuficiente pelos estudantes, que defendem um reajuste para R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista.

Além disso, os estudantes criticam questões estruturais da universidade, como a gestão do restaurante universitário, conhecido como "Bandejão", a moradia estudantil e a situação do Hospital Universitário (HU), que, segundo manifestantes, perdeu cerca de 30% de seu quadro de funcionários na última década.

A reitoria abriu três rodadas de negociação com os estudantes, mas, diante da rejeição da proposta apresentada, decidiu encerrar unilateralmente as conversas, gerando insatisfação entre os grevistas, que chegaram a invadir e ocupar um prédio da reitoria no início do mês.

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O reitor da USP, Aluísio Segurado, chegou a dizer que os valores apresentados eram a última proposta que a reitoria poderia oferecer. Como efeito do impasse, outras universidades estaduais, como a Unesp e a Unicamp, também aderiram à greve.

Na tarde desta segunda, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) agendou um novo ato de protesto em frente ao prédio da reitoria -durante a reunião do Conselho Universitário, a mesma usada de pretexto para a vigília dos docentes.

"A reitoria não tem apresentado propostas reais aos estudantes, mantendo uma postura intransigente nas mesas de negociação e em sua atuação perante os estudantes", afirmam os alunos, via nota do DCE.

"Se na mesa de negociação não existe diálogo, então vamos pautar as nossas necessidades no Conselho Universitário. Instância que precisa urgentemente acatar a pauta dos estudantes", acrescentou.

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