Consolidar os avanços da aprendizagem exige investir em quem ensina 

Brasil tem bons avanços na educação, mas cenário hiper digitalizado exige ainda mais investimentos nos professores

7 ago 2026 - 16h29
(atualizado às 16h35)
Avanço do aprendizado exige maior investimento nos professores
Avanço do aprendizado exige maior investimento nos professores
Foto: Hill Street Studios/Getty Images

Os resultados do Saeb 2025 trazem um sinal encorajador para o Brasil. As proficiências em Língua Portuguesa e Matemática avançaram em todas as etapas avaliadas, indicando a continuidade da recuperação das aprendizagens após os impactos da pandemia. Os números também deixam claro que ainda estamos longe dos níveis de aprendizagem desejados, sobretudo nos Anos Finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. 

Os dados mais recentes do IDEB, indicador que combina o desempenho dos estudantes no Saeb com as taxas de aprovação escolar, divulgados esta semana, reforçam esse cenário. Após duas décadas de acompanhamento do indicador, o Brasil registrou avanços e há motivos para comemorar, mesmo diante dos desafios que permanecem. Estados e municípios de diferentes regiões vêm demonstrando que é possível melhorar resultados de forma consistente, e o trabalho de gestores, técnicos e profissionais da educação merece reconhecimento. Essas experiências mostram que o país também precisa olhar para dentro e aprender com aquilo que já está funcionando.

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A aprendizagem segue sendo a questão central. Embora o país tenha registrado avanços importantes em Matemática, os resultados mostram que ainda são insuficientes diante das competências exigidas por uma sociedade orientada por dados, tecnologia e inovação. Em um contexto de hiper digitalização, transformações climáticas e mudanças aceleradas na sociedade, garantir que todos os estudantes aprendam mais e melhor tornou-se uma urgência ainda maior. E, nesse cenário, nenhum fator tem peso maior do que o professor. 

A recuperação pós-pandemia tornou as salas de aula mais heterogêneas. Cada vez mais, estudantes da mesma turma convivem com níveis muito distintos de domínio de conteúdos, o que torna o trabalho docente ainda mais desafiador. É justamente nesse contexto que a tecnologia pode contribuir. Ferramentas digitais e soluções baseadas em inteligência artificial têm potencial para apoiar a personalização do ensino, identificar necessidades específicas dos estudantes e ampliar a capacidade de atuação dos educadores. Mas o mérito não está na ferramenta em si e sim na forma como apoiam decisões pedagógicas e fortalecem o trabalho desenvolvido em sala de aula. 

Ao contrário do que muitos defendem, a revolução impulsionada pela inteligência artificial torna as capacidades humanas ainda mais importantes. Nunca foi tão necessário desenvolver repertório amplo, pensamento crítico, capacidade de resolver problemas complexos, interpretar textos e compreender ciência, história e arte. E isso só é possível em escolas que cultivem altas expectativas, contem com bons professores e mantenham o foco no desenvolvimento dos alunos. 

Por isso, a principal lição dos resultados do Saeb 2025 talvez não esteja apenas na recuperação das médias de desempenho. Ela reforça a necessidade de investir, com a mesma urgência, na formação e na qualificação profissional docente. Afinal, nenhuma tecnologia consegue substituir o olhar de quem compreende as necessidades de seus alunos, interpreta evidências de aprendizagem e decide qual caminho seguir.

O Brasil tem motivos para celebrar os avanços recentes. Para que essa recuperação se transforme em progresso duradouro, será necessário combinar inovação, intencionalidade pedagógica e valorização dos educadores. A tecnologia pode acelerar mudanças. São os professores que dão direção a elas. A geração que hoje está nas escolas encontrará um futuro do trabalho marcado por desafios cada vez mais complexos, mas também por novas oportunidades. Garantir uma educação de qualidade para todos continua sendo o caminho mais justo para prepará-la para esse futuro e impulsionar o desenvolvimento do país. 

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Diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo. Formada em Administração Pública pela FGV-EAESP e com mestrado na área de Desenvolvimento Econômico e Político pela SIPA-Columbia University. Na Fundação Telefônica Vivo, já liderou a área de Educação, promovendo iniciativas inovadoras e o uso de tecnologia para apoiar o desenvolvimento de crianças e jovens. As opiniões da colunista não representam a visão do Terra.
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