França apontou ação de empresa israelense em eleições de NY e da África, mas não citou Brasil

RELATÓRIO DE ÓRGÃO DO GOVERNO FRANCÊS FALA SOBRE INTERFERÊNCIA ESTRANGEIRA NA CAMPANHA MUNICIPAL DO PAÍS EUROPEU

2 jul 2026 - 11h27

O que estão compartilhando: que a França teria acusado Israel de interferir nas eleições de Brasil, Peru, Colômbia e Argentina, além de países da África, Ásia, América Latina e da cidade de Nova York.

Relatório de órgão francês fala de interferência cibernética estrangeira em eleições, mas não cita o Brasil
Relatório de órgão francês fala de interferência cibernética estrangeira em eleições, mas não cita o Brasil
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. O Viginum, serviço do governo francês para detecção de desinformação, informou ter identificado quatro casos de interferência digital estrangeira nas eleições municipais da França, ocorridas em 15 e 22 de março deste ano.

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A interferência teria partido de uma empresa chamada BlackCore, que o Viginum apurou ter endereços em Israel. Embora o serviço francês tenha encontrado indícios de interferência nas eleições municipais de Nova York, em Angola, no Togo e na Escócia, não houve qualquer menção às eleições no Brasil, no Peru, na Argentina ou na Colômbia.

Saiba mais: Um vídeo com quase 10 mil curtidas no Instagram engana ao afirmar que a França e o governo de Emmanuel Macron estariam acusando Israel de interferir nas eleições do Brasil. Segundo ele, a Justiça francesa estaria acusando a empresa israelense BlackCore de interferir em "todas as eleições na África, na Ásia, na América Latina, inclusive para a prefeitura de Nova York".

O autor do conteúdo cita como supostas provas da intervenção vitórias recentes da direita na América do Sul. Ele lembra que o partido de Javier Milei, na Argentina, venceu as eleições legislativas em 2025; que a candidata Keiko Fujimori virou no Peru; e que Abelardo de la Espriella venceu na Colômbia.

O responsável pelo vídeo foi procurado, mas não respondeu até a publicação deste texto.

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Brasil não é mencionado em relatórios

Vinculado à Secretaria-Geral de Defesa e Segurança Nacional (SGDSN), o Viginum é um órgão criado em 2021 para combater a manipulação da informação, além de detectar e caracterizar operações de interferência cibernética estrangeiras direcionadas à França.

No último dia 11 de junho, o Viginum publicou dois relatórios sobre detecções de interferência digital estrangeira nas eleições municipais francesas. O primeiro relatório é direcionado ao público em geral, enquanto o segundo tem uma abordagem mais técnica. Em nenhum deles, contudo, há menção a uma interferência nas eleições do Brasil.

O foco dos relatórios é nas eleições municipais da França ocorridas em março deste ano. Mas o texto também menciona ter descoberto publicações ligadas à mesma empresa, a BlackCore, relacionadas às eleições municipais de Nova York, de Angola, do Togo e da Escócia.

Os relatórios não citam diretamente o governo israelense, e sim a empresa BlackCore, cujos rastros digitais levam a endereços e número de telefone de Israel.

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Que tipo de interferência foi encontrada?

Em março, antes das eleições municipais na França, o Viginum detectou a existência de uma campanha de difamação contra candidatos do partido de esquerda La France Insoumise (LFI).

Quatro sites com as mesmas características técnicas coordenavam a divulgação de conteúdos difamatórios contra candidatos em redes como TikTok, Instagram, X e Facebook.

A apuração do Viginum levou a uma empresa chamada BlackCore, com endereço e número de telefone em Israel, além de vínculos com cidadãos israelenses.

Em uma conta do TikTok com localização em Israel, por exemplo, foram encontradas publicações promovendo a inauguração de um hospital israelense no Togo para fins humanitários. A mesma conta exibia publicações com um logotipo com a inscrição "Politizando Angola".

Outras contas ligadas ao mesmo ecossistema foram mobilizadas para campanhas envolvendo a questão da Palestina ou as eleições na Escócia. Segundo o relatório técnico, o primeiro-ministro escocês, John Swinney, e o Partido Nacional Escocês foram alvo de ataques coordenados envolvendo essas contas em pelo menos quatro ocasiões, entre 6 de janeiro e 8 de maio de 2026.

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