Foto mostra destruição causada por terremotos no Japão em 2024, não por tremores na América Latina

POSTAGEM NO FACEBOOK TIRA IMAGEM DE CONTEXTO EM CONTEÚDO SOBRE ABALOS SÍSMICOS REGISTRADOS NA NICARÁGUA, CHILE E ARGENTINA

30 jun 2026 - 16h06

O que estão compartilhando: foto de uma rua com uma grande rachadura no asfalto. Na legenda, a postagem informa que Nicarágua, Chile e Argentina registraram tremores de terra no dia 28 de junho.

Imagem mostra destruição causada por terremotos no Japão, não de tremores na Nicarágua, Chile e Argentina
Imagem mostra destruição causada por terremotos no Japão, não de tremores na Nicarágua, Chile e Argentina
Foto: Reprodução/Facebook / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso, pois a imagem exibida na postagem não tem qualquer relação com tremores que ocorreram nos países mencionados. Na realidade, a foto mostra a destruição causada por um terremoto que atingiu a cidade de Wajima, no Japão, em 2024. Não há indícios de que abalos sísmicos registrados no final deste mês na Nicarágua, Chile e Argentina tenham provocado danos estruturais em cidades.

Publicidade

Saiba mais: A partir de uma busca reversa de imagens (veja aqui como fazer), o Verifica identificou que a imagem utilizada na postagem analisada é uma foto de 2024. O registro foi publicado por diferentes veículos de imprensa, entre eles o Estadão (aqui), em reportagens sobre a série de terremotos que atingiu a costa oeste do Japão em janeiro daquele ano. Em Wajima, cidade onde a foto foi feita, o tremor atingiu magnitude 7,6.

A publicação verificada não sinaliza que a imagem não tem relação com tremores registrados na Nicarágua, Chile e Argentina. Dados disponibilizados por estações sismográficas dos três países (aqui, aqui e aqui) mostram que foram registrados diversos abalos no dia 28, sem magnitudes elevadas.

Ao Verifica, o coordenador do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), Marcelo Bianchi, explicou que tremores de terra são comuns nesses países. Segundo ele, isso ocorre porque o Chile e a Nicarágua têm parte do seu território nas bordas das placas tectônicas e é nessas regiões que se concentram a maior parte dos terremotos.

No caso da Argentina, o país tem parte do seu território na Cordilheira dos Andes, que é uma cadeia de montanha ativa. De acordo com o especialista, nessa região é esperado uma sismicidade rasa relevante, apesar de profunda.

Publicidade

Apesar de terremotos fazerem parte da atividade sísmica normal desses países, Bianchi comentou que, em muitos casos, eles podem representar um risco para a população. "Isso é uma das razões pelas quais tais países mantém redes sismográficas e sistemas de monitoramento de terremotos e atendimento à população mais desenvolvidos do que países que não tem", disse.

Ainda que exista risco, o especialista mencionou que os sismos fracos, ou seja, de baixa magnitude, ocorrem em uma proporção muito maior do que os fortes. "Em especial no Chile e Nicarágua, ocorrem de forma mais comum sismos fortes. Na Argentina, embora tais eventos ocorram, eles têm a tendência de serem mais profundos, o que reduz o seu impacto na superfície", explicou.

"A questão toda é que o intervalo entre sismos 'fortes' pode variar de alguns anos a centenas de anos de região para região. Enquanto isso, os sismos mais fracos seguem ocorrendo", disse Bianchi.

A postagem verificada circula nas redes sociais após dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingirem a Venezuela na última semana, deixando mortos, feridos e rastros de destruição. Desde então, o desastre tem sido explorado para disseminar desinformação nas redes sociais. Recentemente, o Verifica desmentiu vídeos e uma foto que mostram prédios desabando como se as imagens tivessem sido registradas na Venezuela (aqui, aqui e aqui).

Publicidade
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se