O que estão compartilhando: que a empresa de carros elétricos BYD não colocou nenhum brasileiro em cargo de gerência na fábrica da Bahia porque nenhum deles tinha a qualificação mínima exigida.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. A multinacional informou ao Verifica que mais de 200 brasileiros ocupam cargos de liderança no complexo industrial em Camaçari. O presidente do sindicato local confirmou essa informação à reportagem. Notícias sobre a BYD mostram que há brasileiros em cargos como a vice-presidência sênior e a liderança de RH global. Além disso, a empresa tem vagas abertas para gerência, que não indicam especificações quanto à nacionalidade dos candidatos.
Saiba mais: A alegação falsa de que nenhum brasileiro estaria em cargo de gerência na BYD começou a viralizar após a publicação de um vídeo do economista Alexandre Bertoncello que alcançou mais de 3 mil comentários no Facebook. Ele foi procurado, mas não respondeu.
Na legenda do vídeo, ele afirma que os executivos e técnicos da BYD na Bahia são "todos chineses". Ele diz que isso é por "política da empresa" e porque o "brasileiro amarga uma produtividade média baixa, herança terrível da educação Paulo Freire". Mas isso não é verdade.
Não é a primeira vez que Bertoncello publica conteúdos classificados como desinformativos. O Verifica desmentiu que o Nubank tenha encerrado as atividades no Brasil e que o BNDES tenha emprestado quase o dobro que o Banco Mundial em 2025.
Mais de 200 brasileiros ocupam cargos de liderança na BYD
A BYD informou que colaboradores brasileiros ocupam parte preponderante dos cargos de liderança nas operações do complexo industrial em Camaçari e que atuam em funções como supervisão, coordenação, gerência industrial e liderança de produção.
"Atualmente, mais de 200 brasileiros ocupam posições de liderança na planta. Com o avanço das obras de ampliação da fábrica, centenas de novos cargos de liderança serão criados e preenchidos por profissionais brasileiros", afirmou a empresa.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Júlio Bonfim, confirmou essa informação à reportagem. Ele informou que a fábrica da BYD tem 2.700 trabalhadores sindicalizados, e disse que conhece funcionários brasileiros que atuam em cargos de liderança ou gerenciamento.
O presidente do Sindicato cita áreas que têm líderes brasileiros, como Projeto e Design e RH Global, além da fábrica de baterias. Segundo Bonfim, alguns desses trabalhadores atuavam na antiga fábrica da Ford em Camaçari, que encerrou as operações em 2021 e foi vendida para a BYD.
A informação sobre gerentes brasileiros também é confirmada por notícias publicadas sobre a atuação da empresa. Um portal de notícias de Camaçari entrevistou Rodrigo Rosseto, gerente sênior de Recursos Humanos da BYD (aqui e aqui). O site g1 entrevistou o vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy, também brasileiro (aqui).
No quadro de vagas abertas da BYD, o Verifica encontrou pelo menos três propostas de trabalho para cargos de liderança: líder de produção, líder de manutenção e coordenador de RH. As vagas não listam especificações quanto à nacionalidade dos candidatos. Ou seja, qualquer pessoa que cumpra os requisitos pode se candidatar, incluindo brasileiros (aqui, aqui e aqui).
Maioria dos trabalhadores de fábrica na Bahia é brasileira
A maioria dos trabalhadores da fábrica em Camaçari é brasileira. A BYD informou que emprega atualmente cerca de 3.200 trabalhadores brasileiros no complexo de Camaçari.
O governo da Bahia explicou que o contrato assinado entre a administração estadual e a montadora prevê a geração de 10 mil empregos diretos até o ano de 2028 na região e determina que a multinacional priorize a contratação de mão de obra brasileira.
Maioria dos trabalhadores da BYD na Bahia é brasileira; vídeos enganam ao falar em 'cidade chinesa'
É falso que 811 mil chineses estejam aptos a votar nas eleições brasileiras deste ano
Governo não atendeu integralmente pedido da BYD sobre taxa de importação de carros elétricos