O que estão compartilhando: que a Guarda Revolucionária do Irã teria divulgado uma imagem de um míssil com a frase: "Em memória das vítimas da Ilha de Epstein". O texto faz referência à ilha particular do financista Jeffrey Epstein, condenado por exploração sexual de menores.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. A imagem foi manipulada com auxílio de inteligência artificial, conforme análise da ferramenta SynthID. A fotografia original usada como referência circula ao menos desde o início de fevereiro, semanas antes dos conflitos envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
Saiba mais: por meio de uma busca reversa de imagens (aprenda aqui como fazer), o Verifica encontrou a mesma imagem em uma publicação no X (antigo Twitter), datada em 5 de fevereiro de 2026. Nessa foto, no entanto, não há a frase que faz referência a Epstein.
É possível identificar que trata-se da mesma imagem por detalhes específicos, como sombras e marcas. A diferença, além do texto na ponta do míssil, é que a mídia viral editada foi recortada e rotacionada. Compare abaixo.
Após encontrar a imagem original, a reportagem submeteu o conteúdo ao SynthID. A ferramenta pertence ao Google e reconhece mídias que foram criadas ou manipuladas por tecnologias de inteligência artificial da própria empresa.
O resultado apontou que "partes dela [da imagem] foram editadas ou geradas com o uso de inteligência artificial do Google". A análise é feita pela detecção de marcas d'água que são inseridas em conteúdos sintéticos.
Foto original foi publicada antes de conflitos recentes
A imagem original circula ao menos desde o início de fevereiro de 2026. Israel e Estados atacaram o Irã no dia 28 de fevereiro, causando a morte do aiatolá Ali Khamenei, então líder supremo iraniano. Ou seja, o conflito recente começou semanas depois da publicação da imagem do míssil.
Nesta segunda-feira, 16, a guerra na região já entra na terceira semana, marcada por novos ataques e petróleo bruto acima de US$ 100 o barril. Neste domingo, 15, o diretor do Conselho Econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, declarou que previsões do Pentágono indicam que a guerra deve levar entre quatro a seis semanas para ser concluída.
A mesma alegação foi desmentida também pelas agências de checagem Aos Fatos, Snopes (Estados Unidos), Factnameh (Irã) e BOOM Live (Índia).
Como lidar com postagens do tipo: em guerras, é comum que desinformadores usem mídias fora de contexto e conteúdos gerados por IA para enganar usuários. Para checar a publicação, um dos métodos usados pela reportagem foi a busca reversa. Trata-se de uma ferramenta que ajuda a descobrir se uma determinada mídia já foi compartilhada antes na internet, em quais sites e em qual contexto.