O que estão compartilhando: que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, teria dito que a primeira medida do governo dele em 2027 seria promover uma nova reforma da Previdência e da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), acabando com a aposentadoria, o 13º salário e as férias remuneradas.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. Não há registro de nenhuma declaração de Flávio nesse sentido. A postagem distorce um comentário do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Bolsonaro. Marinho disse que um eventual governo de Flávio discutiria reformas na Previdência e na área trabalhista, mas não detalhou quais mudanças seriam propostas.
Procurado, Flávio disse que nunca apresentou "qualquer proposta nesses termos". O senador afirmou que vai divulgar proposições no dia 30 de março. "A primeira versão do meu plano de resgate do Brasil ainda nem foi apresentada, então é impossível falar de qualquer reforma", afirmou.
Saiba mais: circulam nas redes sociais diferentes conteúdos afirmando que Flávio teria o plano de acabar com direitos trabalhistas. No Instagram, uma postagem afirma que o pré-candidato teria prometido reformar a Previdência e a CLT.
A postagem diz: "Ele vai acabar com a aposentadoria e com benefícios de forma geral. Ninguém vai aposentar mais por tempo de serviço e muito menos por idade! Ou seja: você vai ter que trabalhar até morrer ou até ficar aleijado! Flávio Bolsonaro também disse que vai adotar o modelo de 12 horas diárias e que vai manter a escala de trabalho 6x1?.
Mas não há nenhum registro do senador dizendo isso. Procurado pelo Verifica, ele afirmou que "reformas, quando necessárias, devem servir para gerar oportunidades, fortalecer a economia e proteger quem mais precisa".
A postagem no Instagram tira de contexto um trecho do programa ICL Urgente, apresentado por Rodrigo Vianna, exibido em 6 de março. A partir de 27 minutos e 23 segundos, o apresentador comenta uma reportagem do jornal Valor Econômico sobre a declaração de Marinho.
O coordenador da campanha de Flávio falou em entrevista à Folha de S. Paulo. A declaração completa do senador é a seguinte: "O modelo está estourando. Só posso dizer que a gente vai ter que revisitar a Previdência. A trabalhista tem que ser revisitada, porque a reforma de 2017 foi mitigada por várias decisões judiciais. Ao mesmo tempo, ela precisa ser atualizada pelas inovações tecnológicas, pelas novas formas de trabalho que estão crescendo".
Mas Marinho não detalhou quais propostas a campanha de Flávio apresentaria sobre o tema. Uma imagem que circula no WhatsApp e que foi enviada por leitores do Verifica ao número (11) 97683-7490, diz que o senador teria detalhado as possíveis reformas trabalhista e previdenciária nos seguintes termos:
aumento da idade mínima para aposentadoria para 75 anos no caso dos homens, com 50 anos de contribuição, e para 72 anos no caso das mulheres, com 45 anos de contribuição; fim do BPC/LOAS e do auxílio-doença previdenciário;fim do 13º salário e das férias remuneradas; possibilidade de pagamento da rescisão em até 12 parcelas; extinção do seguro-desemprego, do abono salarial e da distribuição de lucros do FGTS; aumento da jornada diária para 12 horas; parte do pagamento poderia ser feita em alimentos.
Mas nenhuma dessas propostas consta da entrevista de Marinho à Folha. Flávio disse ao Verifica que defende valorizar "o trabalho, o empreendedorismo, a família e a liberdade econômica".