O que estão compartilhando: que Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte, teria ameaçado o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com um ataque nuclear capaz de "aniquilar a vida humana na Terra", caso seu país seja alvo de agressão.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. O vídeo que circula nas redes sociais inventa declarações e tira de contexto falas antigas dos dois. A intenção é sugerir uma ameaça real em andamento. Não foram encontrados registros de manifestações recentes com esse teor em fontes oficiais e na imprensa.
Saiba mais: o vídeo checado diz que Trump teria ameaçado atacar a Coreia do Norte com "fogo e fúria como o mundo nunca viu". Em resposta, Kim Jong-un teria afirmado que "aqui na minha mesa há botões e, apenas com um clique, bombas nucleares serão disparadas para grande parte dos países".
O norte-coreano teria dito ainda que apenas três bombas seriam capazes de "aniquilar a vida humana na Terra". Outra frase de Kim Jong-un, segundo o vídeo, seria: "nem Deus é capaz de parar o arsenal que eu possuo".
Mas não existem informações oficiais ou na imprensa sobre essas declarações no atual contexto geopolítico, tensionado pelos ataques de EUA e Israel contra o Irã.
A animosidade entre Trump e Kim Jong-un é recorrente desde o primeiro mandato do presidente americano, iniciado em 2017. Os dois países são donos de arsenais atômicos.
Trump já se referiu à Coreia do Norte como lugar "onde há aquele louco sentado, e ele tem mesmo armas nucleares". Também já disse que Kim Jong-un é "um homem mau e não deve ser subestimado."
Em outra ocasião, diante de demonstrações do arsenal norte-coreano, ele afirmou que os EUA tinham muita força e paciência: "Não teremos escolha a não ser destruir a Coreia do Norte. O homem foguete está em uma missão suicida."
A expressão "fogo e fúria", citada no vídeo, foi usada por Trump em agosto de 2017. À época, o presidente dos EUA havia advertido a Coreia do Norte de que poderia responder a ameaças com "fogo e fúria jamais vistos no mundo". Naquela ocasião, havia informações de que Pyongyang tinha fabricado uma ogiva nuclear miniaturizada que poderia ser instalada em um míssil balístico.
Por sua vez, Kim Jong-un já ameaçou Trump: "Ele enfrentará resultados além de suas expectativas". E garantiu: "Definitivamente, domei com fogo o idiota americano mentalmente perturbado".
Em 2018, houve uma troca de ameaças em discursos públicos: "Tenho um botão nuclear na mesa do meu escritório", disse Kim Jong-un. Trump respondeu: "Alguém do regime esgotado e faminto dele por favor diga que eu também tenho um botão nuclear, mas é muito maior e mais poderoso, e o meu funciona." Ao mesmo tempo, ambos mostravam disposição para "dialogar".
Em meio a ameaças e ofensas, Trump e Kim Jong-un já se encontram três vezes
O encontro entre os dois ocorreu ainda em 2018, em Cingapura. Foi a primeira vez na história que líderes em exercício dos dois países se reuniram pessoalmente. Os dois também se encontraram na zona desmilitarizada na fronteira entre a Coreia do Norte e do Sul. Pela primeira vez, um presidente americano pisou em território norte-coreano. Trump disse estar "orgulhoso por ter cruzado aquela linha" e que era "um grande dia para o mundo".
No atual noticiário internacional, a Coreia do Norte tem se manifestado por notas oficiais. Nesta quarta-feira,13, a imprensa estatal disse que o governo respeita a escolha novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, e acusou EUA e Israel de "minarem a paz regional". Antes, a Coreia do Norte já havia classificado o ataque dos EUA e Israel ao Irã como um "ato ilegal de agressão".
Na terça-feira, 10, Kim Yo-Jong, irmã de Kim Jong-Un e figura influente na linha de comando, alertou para "consequências terríveis" de manobras militares conjuntas de EUA e Coreia do Sul. Os exercícios, que mobilizaram cerca de 18 mil militares até 19 de março, foram vistos "ensaios para uma invasão".
Trump e Kim Jong-Un negociavam desde o final do ano passado um novo encontro para 2026, o quarto, até o mundo mergulhar em um novo período de instabilidade. Trump disse que gostaria e Kim Jong-Un afirmou ter "boas lembranças" do colega.