Não há registro de que Maduro tenha citado Obama em investigação de fraude eleitoral

POSTAGENS VIRAIS MENTEM QUE EX-DITADOR VENEZUELANO TERIA DENUNCIADO EX-PRESIDENTE AMERICANO

24 abr 2026 - 16h21

O que estão compartilhando: que o ex-ditador da Venezuela Nicolás Maduro teria implicado o ex-presidente americano Barack Obama em um esquema de fraude eleitoral. A fraude teria sido efetuada com máquinas de votação das empresas Dominion e Smartmatic.

Alegações de fraudes envolvendo as empresas citadas já foram desmentidas.
Alegações de fraudes envolvendo as empresas citadas já foram desmentidas.
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. Não há registros de que Maduro tenha feito revelações dessa natureza. Não houve menção a Obama nas duas audiências às quais o venezuelano compareceu nos Estados Unidos, onde está preso.

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Boatos sobre fraude eleitoral com as empresas Dominion e Smartmatic foram desmentidos pelo Verifica em 2020. À época, as duas empresas negaram qualquer irregularidade ou vínculo uma com a outra. Agora, a Smartmatic afirmou ao Verifica que acusações de supostas fraudes foram desmentidas em processos judiciais.

Saiba mais: Segundo as postagens, Maduro teria dito a autoridades federais que Obama "solicitou e participou de um acordo de troca de favores para que Maduro fornecesse aos Estados Unidos uma grande quantidade de máquinas de votação e softwares da Dominion e da Smartmatic para fraudar as eleições americanas em favor dos democratas". O texto cita que, em troca, "Obama e seu governo permitiram que Maduro permanecesse no poder". Mas não há registro de que nada disso tenha acontecido.

Boatos sobre envolvimento de empresas em fraudes eleitorais foram desmentidos

A alegação de fraude requenta boatos que circularam nas redes sociais em 2020, durante a disputa eleitoral entre Donald Trump e Joe Biden.

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Naquela época, advogados de Trump espalharam alegações enganosas de que um software da Dominion Voting System teria sido criado para manipular eleições na Venezuela e estaria envolvido em fraudes na corrida presidencial americana. Eles também afirmavam que haveria laços entre a Dominion e a empresa americana Smartmatic.

A Dominion Voting System era responsável por fornecer tecnologia para o processo eleitoral em alguns estados dos EUA. A empresa foi adquirida pela Liberty Vote Corporation. Ela foi procurada, mas não respondeu.

A Smartmatic é outra empresa que fornece tecnologia para processos eleitorais, tendo atuado em países como Venezuela e Estados Unidos.

As duas empresas declararam em 2020 serem concorrentes de mercado e negaram haver vínculo entre elas. Como mostrou o Verifica na ocasião:

A Dominion afirmou que "não é, nem nunca foi, de propriedade da Smartmatic" e negou usar a tecnologia da concorrente. A empresa disse que não tinha qualquer laços com Venezuela ou com Cuba.A Smartmatic destacou que a empresa "nunca foi proprietária de ativos ou teve qualquer participação financeira na Dominion Voting Systems" e nunca forneceu "qualquer software, hardware ou outra tecnologia" para a companhia.As autoridades eleitorais dos Estados Unidos negaram haver evidências de fraude no processo eleitoral do país daquele ano.

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Procurada novamente pelo Verifica, a empresa Smartmatic informou que alegações de supostas fraudes foram desmentidas judicialmente.

A empresa entrou com processos contra canais e pessoas que divulgaram as falsas acusações de fraude. Entre eles, o Newsmax, um portal de notícias americano; a OAN, um canal de notícias a cabo americano; a Fox, uma emissora americana; e Mike Lindell, um empresário e político americano.

"Os réus tiveram acesso completo a milhões de documentos produzidos na fase de descoberta, bem como a depoimentos sob juramento de nossa alta liderança", disse uma porta-voz da Smartmatic.

A Newsmax reconheceu publicamente que as alegações de fraude eram "factualmente falsas ou inverídicas." (aqui).

De acordo com a Smartmatic, em setembro de 2025, um juiz distrital dos EUA decidiu que Mike Lindell difamou a empresa com alegações falsas de fraude eleitoral (aqui).

Maduro não citou alegações contra Obama nas duas audiências que compareceu nos EUA

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Não há registros de notícias em português ou inglês que confirmem que Maduro tenha acusado Obama de fraude eleitoral (aqui e aqui).

Maduro e a esposa dele, Cilia Flores, foram capturados por uma operação militar americana na Venezuela em 3 de janeiro. Maduro enfrenta acusações nos EUA que incluem conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para posse de armas.

Ele e a esposa passaram por duas audiências, a primeira de custódia, em 5 de janeiro deste ano, e a segunda em 26 de março. Em nenhuma das audiências há registro de menção a Obama.

Como mostrou o Estadão, na primeira audiência Maduro se declarou inocente de todas as acusações. Ele afirmou que foi sequestrado e se classificou como "prisioneiro de guerra".

A segunda audiência, em março, tratou dos pagamentos dos honorários advocatícios da defesa do ex-presidente, já que os ativos dele estão mantidos sob sanção pelos Estados Unidos. A defesa pediu o arquivamento do caso, algo que o juiz Alvin Hellerstein já indicou que não deve acatar.

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A audiência encerrou sem uma decisão do juiz, que questionou os motivos pelos quais os Estados Unidos bloquearam o uso de recursos venezuelanos.

Veja todas as checagens do 'Estadão Verifica' sobre a captura de Maduro

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