O que estão compartilhando: vídeo mostra uma mulher sendo imobilizada com um golpe "mata-leão" aplicado por um policial, em confronto físico que chega a derrubar o portão da garagem de uma casa. A postagem afirma que as imagens seriam de uma abordagem da Polícia Militar de São Paulo.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. O registro não é atual e não tem relação com São Paulo. As imagens foram gravadas em 28 de dezembro de 2024 na cidade de Colombo, no Paraná. Elas mostram agentes atendendo a uma chamada por briga de vizinhos. A PM foi averiguar uma reclamação de perturbação do sossego provocada por música em alto volume. Segundo nota da corporação à época, três pessoas, entre elas a mulher, foram detidos por desacato e resistência à prisão.
Saiba mais: o registro circula nas redes sociais em diferentes plataformas como se fosse atual. A postagem analisada pelo Verifica tem como legenda: "A PM de São Paulo é uma facção criminosa? Limite ultrapassado: vídeo mostra mulher desmaiada e portão derrubado em operação policial".
A voz de uma narradora diz, ao comentar o vídeo destacado no conteúdo: "Moço, não bate nela não. Por que você está fazendo isso? Acalme seu coração. Vamos respirar. (...) Acho que você está machucando ela. Será que isso não é abuso de autoridade?". Não há na fala, porém, nenhuma referência à PM paulista.
Como é recorrente neste tipo de postagem, nas publicações localizadas pelo Verifica não há elementos informativos básicos, como onde e quando ocorreu o que está sendo mostrado. Outra estratégia usada aqui por quem dissemina desinformação é apresentar imagens espelhadas, ou seja, invertidas, o que dificulta a leitura de pistas visuais e o recurso da busca reversa (veja aqui como fazer).
Um sinal da desinformação está na cor do uniforme do policial, em tom cáqui. A PM de São Paulo tem como padrão o chamado cinza bandeirante. Por meio de pesquisa por palavras-chave no Google foi encontrada uma reportagem da TV Record sobre o episódio.
Segundo explica a repórter, os policiais foram chamados em razão de um briga entre vizinhos no bairro Rio Verde, na cidade paranaense. A reclamação era por excesso de barulho. Em meio à abordagem na casa responsável pela perturbação, a moradora teria se exaltado e proferido xingamentos aos agentes.
Os policiais então lhe deram voz de prisão e ela resistiu, sendo contida por um deles. O confronto físico acabou derrubando o portão da garagem da residência. Dois homens tentaram impedir a ação e também foram detidos. Os três, segundo a PM divulgou à reportagem, responderiam por desacato, desobediência e resistência à prisão. A mulher também foi acusada de danificar a câmera corporal acoplada à farda do agente.
O caso lançou um debate sobre os procedimentos usados neste tipo de contenção, em especial o uso do mata-leão, golpe que exige conhecimento e treinamento de quem o aplica, por oferecer potencial risco de vida a quem o recebe, e sobretudo quando essa abordagem é direcionada a mulheres.
Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para apurar possível excesso de força dos agentes. Não foram encontradas informações atualizadas sobre os desdobramentos do caso.
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