Vídeo em que policial aplica mata-leão em mulher foi gravado no Paraná, não em São Paulo

GRAVAÇÃO CIRCULA NAS REDES SOCIAIS FORA DE CONTEXTO; REGISTRO FOI FEITO EM DEZEMBRO DE 2024 DURANTE OCORRÊNCIA MOTIVADA POR BRIGAS DE VIZINHOS

23 abr 2026 - 15h35

O que estão compartilhando: vídeo mostra uma mulher sendo imobilizada com um golpe "mata-leão" aplicado por um policial, em confronto físico que chega a derrubar o portão da garagem de uma casa. A postagem afirma que as imagens seriam de uma abordagem da Polícia Militar de São Paulo.

Vídeo com alegação enganosa circula nas redes sociais
Vídeo com alegação enganosa circula nas redes sociais
Foto: reprodução / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. O registro não é atual e não tem relação com São Paulo. As imagens foram gravadas em 28 de dezembro de 2024 na cidade de Colombo, no Paraná. Elas mostram agentes atendendo a uma chamada por briga de vizinhos. A PM foi averiguar uma reclamação de perturbação do sossego provocada por música em alto volume. Segundo nota da corporação à época, três pessoas, entre elas a mulher, foram detidos por desacato e resistência à prisão.

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Saiba mais: o registro circula nas redes sociais em diferentes plataformas como se fosse atual. A postagem analisada pelo Verifica tem como legenda: "A PM de São Paulo é uma facção criminosa? Limite ultrapassado: vídeo mostra mulher desmaiada e portão derrubado em operação policial".

A voz de uma narradora diz, ao comentar o vídeo destacado no conteúdo: "Moço, não bate nela não. Por que você está fazendo isso? Acalme seu coração. Vamos respirar. (...) Acho que você está machucando ela. Será que isso não é abuso de autoridade?". Não há na fala, porém, nenhuma referência à PM paulista.

Como é recorrente neste tipo de postagem, nas publicações localizadas pelo Verifica não há elementos informativos básicos, como onde e quando ocorreu o que está sendo mostrado. Outra estratégia usada aqui por quem dissemina desinformação é apresentar imagens espelhadas, ou seja, invertidas, o que dificulta a leitura de pistas visuais e o recurso da busca reversa (veja aqui como fazer).

Um sinal da desinformação está na cor do uniforme do policial, em tom cáqui. A PM de São Paulo tem como padrão o chamado cinza bandeirante. Por meio de pesquisa por palavras-chave no Google foi encontrada uma reportagem da TV Record sobre o episódio.

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Segundo explica a repórter, os policiais foram chamados em razão de um briga entre vizinhos no bairro Rio Verde, na cidade paranaense. A reclamação era por excesso de barulho. Em meio à abordagem na casa responsável pela perturbação, a moradora teria se exaltado e proferido xingamentos aos agentes.

Os policiais então lhe deram voz de prisão e ela resistiu, sendo contida por um deles. O confronto físico acabou derrubando o portão da garagem da residência. Dois homens tentaram impedir a ação e também foram detidos. Os três, segundo a PM divulgou à reportagem, responderiam por desacato, desobediência e resistência à prisão. A mulher também foi acusada de danificar a câmera corporal acoplada à farda do agente.

O caso lançou um debate sobre os procedimentos usados neste tipo de contenção, em especial o uso do mata-leão, golpe que exige conhecimento e treinamento de quem o aplica, por oferecer potencial risco de vida a quem o recebe, e sobretudo quando essa abordagem é direcionada a mulheres.

Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para apurar possível excesso de força dos agentes. Não foram encontradas informações atualizadas sobre os desdobramentos do caso.

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