É falso que Barack Obama tenha nascido no Quênia e que mandato tenha sido ilegítimo

TEORIA CONSPIRATÓRIA QUE CIRCULA DESDE 2008 QUESTIONA A LEGALIDADE DA PRESIDÊNCIA DOS EUA EXERCIDA ENTRE 2009 E 2017; EX-PRESIDENTE NASCEU NO HAVAÍ, COMO COMPROVOU CERTIDÃO

10 mar 2026 - 16h30

O que estão compartilhando: que Barack Obama não poderia ter sido presidente dos Estados Unidos porque nasceu no Quênia.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. A postagem analisada requenta uma teoria conspiratória que surgiu em 2008, quando Obama, então senador, foi escolhido pelo Partido Democrata para concorrer à presidência dos EUA. O assunto, retomado por adversários ao longo de seus dois mandatos (2009-2017), foi esclarecido por uma certidão oficial e por checagens da imprensa.

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Saiba mais: uma postagem no Instagram reproduz um trecho de podcast veiculado em 7 de março. O vídeo relembra a antiga alegação de que Obama teria nascido no Quênia e apresentado posteriormente, já presidente, uma certidão de nascimento no Havaí. Também cita que a funcionária pública que atestou a autenticidade do documento morreu em um acidente aéreo em 2013, episódio também envolto em teorias conspiratórias.

Embora os comentaristas do podcast não sejam taxativos nas opiniões sobre o caso, legendas aplicadas sobre o vídeo no Instagram reforçam a desinformação sobre a origem do ex-presidente americano. "É por isso que Obama não podia ser presidente dos EUA…"; "Obama escondeu isso de todo mundo?".

Barack Obama nasceu em Honolulu, no arquipélago do Havaí, em 4 de agosto de 1961, e não no país africano. Seu pai, sim era queniano — na verdade, até 1963, quando da independência do Quênia junto ao Reino Unido, Obama pai e Obama filho eram cidadãos britânicos. Já a mãe do ex-presidente era americana, com origem no Kansas. Obama perdeu a dupla cidadania queniana por questões legais em 1984, ratificando sua condição de cidadão americano.

Segundo a Constituição dos EUA, o nascimento no estrangeiro de pai ou mãe americanos, e também em bases militares ou territórios do país, garante a cidadania. Curiosamente, o adversário de Obama no pleito de 2008 foi o republicano John McCain, nascido em uma base dos EUA no Panamá.

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No caso de Obama, se ele tivesse nascido no Quênia até poderia haver uma restrição a ele ocupar o cargo de presidente em razão da idade da mãe dele no parto, 18 anos, por causa de um possível entendimento da legislação à época. Era exigido que a mãe tivesse 19 anos ou mais quando a criança nascesse para garantir a cidadania.

Mas, com a comprovação do nascimento de Obama nos EUA, essa possível discussão se tornou desnecessária.

Donald Trump foi grande difusor do boato

O questionamento sobre a origem de Obama emergiu na campanha eleitoral de 2008, difundido pela extrema-direita dos EUA via um movimento chamado "birther", que pregava que o mandato do primeiro presidente afro-americano seria ilegítimo.

O assunto foi pauta de Donald Trump e apoiadores quando o empresário começou a despontar no cenário político com ambições de chegar à Casa Branca, no começo dos anos 2010. Em 2011, Obama apresentou sua certidão para provar que nasceu no Havaí.

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Mesmo assim, Trump insistiu na mentira durante os anos seguintes, conforme detalhou reportagem da BBC. Afirmou que uma "fonte extremamente confiável" assegurava que a certidão de nascimento de Obama era uma fraude. Depois, classificou como suspeita a morte em acidente aéreo da funcionária do sistema de saúde do Havaí que autenticou os documentos. Mais adiante, incentivou hackers a acessaram registros acadêmicos de Obama para verificar seu local de nascimento.

Em 2016, em meio à sua primeira disputa presidencial, o republicano Trump admitiu que Obama era de fato nascido nos EUA. Não foi propriamente convencido pelas evidências. A iniciativa foi vista à época como estratégia para não perder votos dos eleitores negros. Trump chegou à Casa Branca derrotando a candidata democrata Hillary Clinton, em campanha marcada pela propagação em larga escala de desinformação.

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