Presidente do PT descarta apoio de Lula a pai de Motta na disputa pelo Senado na Paraíba

Edinho Silva afirmou que candidatos do petista no Estado são ex-governador João Azevêdo (PSB) e senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), mas ressalvou que isso não significa que Lula não possa 'debater o futuro com Nabor'

16 jun 2026 - 17h06
(atualizado em 17/6/2026 às 21h01)

BRASÍLIA - O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou nesta terça-feira, 16, que os dois candidatos ao Senado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Paraíba são o ex-governador do Estado João Azevêdo (PSB) e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), deixando de fora o ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos).

Luiz Inácio Lula da Silva e Veneziano Vital do Rêgo em foto publicada no início de 2026
Luiz Inácio Lula da Silva e Veneziano Vital do Rêgo em foto publicada no início de 2026
Foto: @venezianovitalpb via Instagram / Estadão

Edinho participou de um almoço organizado por quatro frentes parlamentares: Brasil Competitivo, Empreendedorismo, Tecnologia e Atividades Nucleares e Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria. Ao ser questionado sobre o fato de Lula ter gravado um vídeo ao lado de Veneziano, ele respondeu citando a gravação do presidente em apoio a João Campos (PSB) na disputa pelo governo de Pernambuco e disse que isso era natural.

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"O presidente Lula sempre foi muito correto ao anunciar que, na Paraíba, tinha dois candidatos ao Senado: o João Azevêdo e o Veneziano. Então, isso nunca foi omitido", afirmou. "Não significa que ele não respeite o Nabor, que ele não terá uma relação de cordialidade com Nabor, que ele não possa debater o futuro com Nabor. Mas, nesse momento, ele tem que reconhecer o papel que o Veneziano cumpriu no Senado para o seu governo e as relações históricas que tem com o João Azevedo".

Para o presidente do PT, a movimentação de Lula não provocará problemas com Motta, mesmo em um contexto no qual o governo enfrenta dificuldades no Congresso por causa da relação turbulenta com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Motta é quem tem ajudado o Palácio do Planalto a avançar com bandeiras eleitorais do petista, como o fim da escala de trabalho 6x1.

Na noite desta terça-feira, 16, o presidente da Câmara reagiu e disse que Veneziano está "queimando a largada". Sem esconder a contrariedade, Motta afirmou, ainda, que a divulgação do vídeo sinalizaria "desespero" do senador.

Edinho tentou amenizar o mal-estar. "Eu penso que as relações que o presidente construiu com Hugo Motta são sólidas, são relações políticas de interesse do País e, portanto, de longo prazo. Não significa que gravar um vídeo com um aliado também histórico vá estremecer essa relação", argumentou. "É a primeira eleição que o Nabor disputa ao Senado na Paraíba e, portanto, nós temos muito ainda o que construir".

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Em Pernambuco, Lula também enfrenta uma disputa de dois candidatos que querem o seu apoio para a corrida ao Palácio do Campo das Princesas: de um lado, a governadora Raquel Lyra (PSD), que concorre à reeleição; de outro, o ex-prefeito do Recife, João Campos.

"Ele tem um respeito muito grande pela governadora, reconhece a liderança dela; portanto, é uma relação baseada na democracia. Mas o candidato dele em Pernambuco é o João Campos", observou Edinho.

Já o palanque de Lula em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do País, continua indefinido. Edinho indicou que uma composição com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) não está mais no radar.

"O Kalil quer construir a candidatura dele ao governo, mas interdita composições e outras alianças", avaliou. Na prática, existe um atrito entre Kalil e o PT desde a campanha de 2022.

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"Nós respeitamos a posição dele e vamos nos encontrar, com certeza, no segundo turno. Mas, nesse momento, quando ele se lança, impede que a gente continue dialogando com o PSB, PCdoB, Rede e PSOL", disse.

Pesquisa feita pelo PT de Minas, nos últimos dias, indicou que a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, é o nome mais competitivo para disputar o Palácio Tiradentes, depois do senador Cleitinho (Republicanos-MG). O senador tem dito que não será candidato.

Marília, porém, não quer concorrer ao governo de Minas, mas, sim, ao Senado. Desde a recusa do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) de entrar no páreo para dar palanque a Lula, o PT ficou sem alternativa no segundo maior colégio eleitoral do País.

Diante desse impasse, se Marília não for convencida por Lula, o candidato do PT no Estado deverá ser o deputado federal Reginaldo Lopes.

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