A operação da Polícia Federal (PF) em residências do senador e líder do governo Lula (PT), Jaques Wagner, na manhã de quinta-feira, 18, em Salvador (BA) e em Brasília (DF), foi como um déjà-vu para o petista baiano. Isso porque essa não foi a primeira vez que imóveis do político foram alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos por agentes federais.
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A ação mais recente ocorreu no âmbito da Operação Complice Zero. Wagner, que foi governador da Bahia por dois mandatos (2006 a 2014), é investigado por supostas fraudes envolvendo o Banco Master, além de seus vínculos com o banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso.
Em 2018, quando ainda era secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, o ex-governador da Bahia também foi alvo de um mandado de busca e apreensão na Operação Cartão Vermelho, que investigava supostos desvios de recursos nas obras para a Copa do Mundo de 2014 na Arena Fonte Nova, em Salvador.
No caso Master, segundo a investigação, o senador teria recebido pagamentos por meio de um contrato de consultoria firmado com uma empresa da nora, Bonnie Bonilha. Os repasses teriam somado cerca de R$ 11 milhões ao longo de vários anos e funcionariam como uma contrapartida por ações do senador a favor dos interesses do Master.
A PF também apura uma suposta doação de um apartamento no bairro do Horto Florestal, em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, como propina do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master.
O elo que liga Wagner ao Master é justamente Augusto Lima. Ele arrematou a rede baiana de supermercados Cesta do Povo, em 2018, que era a antiga Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), privatizada pelo sucessor de Wagner, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa.
No Estado, Lima também implementou um sistema de crédito consignado para servidores públicos que posteriormente foi levado para o Banco Master, o Credcesta.
Já no caso das obras da Arena Fonte Nova, na ocasião, a PF informou que o esquema teria provocado prejuízos superiores a R$ 450 milhões nos contratos relacionados à demolição, reconstrução e gestão do estádio. As investigações apontavam benefícios ao consórcio Fonte Nova Participações (FNP), formado pelas construtoras Odebrecht e OAS, envolvidas na operação Lava Jato.
Segundo a corporação, parte significativa dos recursos desviados teria sido destinada ao pagamento de propinas e ao financiamento de campanhas eleitorais. A PF afirmou, à época, que Wagner, então governador, teria recebido R$ 82 milhões do montante investigado.
Em 2019, no entanto, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) decidiu que a investigação sobre a obra da Arena Fonte Nova não era competência da Justiça Federal, onde tramitava o caso. Com isso, foram anuladas as ações da Operação Cartão Vermelho.
Em julgamento, os desembargadores reconheceram que os recursos para a reforma do estádio vieram do estado da Bahia e não da União. Por isso, o Ministério Público Federal (MPF) e a PF não teriam competência para conduzir o inquérito. No ano passado, a Justiça determinou o arquivamento do caso.
O Terra pediu um novo posicionamento à assessoria de Jaques Wagner sobre a operação desta quinta. Em nota, enviada após a publicação da reportagem, a assessoria afirmou que o senador não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados.
Sobre a doação do apartamento, a assessoria do senador disse que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.
Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais.
Segndo a PF, os fatos investigados no caso Master podem caracterizar, em tese, crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro.