'Não se meta nas eleições do Brasil', diz Lula após declarações de Trump

Presidente afirmou que o norte-americano pode ter preferências políticas, mas deve respeitar a soberania brasileira e não interferir no País

17 jun 2026 - 16h32
(atualizado às 20h06)
'Não se meta nas eleições do Brasil', diz Lula em resposta a Trump
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira, 17, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem o direito de manter suas preferências políticas e ideológicas, mas não deve interferir em assuntos internos do Brasil nem nas eleições do País.

A declaração foi dada durante uma coletiva de imprensa em Genebra, após o encerramento da cúpula do G7, na França. Na ocasião, Lula foi questionado sobre Trump ter chamado o Brasil de 'politicamente complicado', e afirmou que o presidente norte-americano tem uma visão limitada da realidade do País caso sua percepção esteja baseada apenas na relação com a família Bolsonaro.

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"Eu acho que ele conhece pouco o Brasil. Se ele conhece o Brasil pela relação que ele tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil. O Bolsonaro já está preso", afirmou.

Durante a conversa, Lula também comentou a presença de brasileiros foragidos da Justiça que estão nos Estados Unidos e disse que autoridades americanas poderiam colaborar com o Brasil no combate ao crime organizado. O presidente citou o empresário Ricardo Magro, dono da Refinaria de Manguinhos e apontado como um dos maiores devedores de impostos do País, e o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal Alexandre Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

Declaração de Lula foi dada durante uma coletiva de imprensa em Genebra, após o encerramento da cúpula do G7, na França
Declaração de Lula foi dada durante uma coletiva de imprensa em Genebra, após o encerramento da cúpula do G7, na França
Foto: Reprodução/YouTube/Canal GOV

Segundo Lula, o governo brasileiro já forneceu informações às autoridades americanas sobre o paradeiro dessas pessoas. Ele afirmou ainda que a Polícia Federal tem interesse em trazê-las de volta ao Brasil para responder à Justiça.

Defesa das urnas eletrônicas

Lula também aproveitou a conversa para elogiar o sistema eleitoral brasileiro e afirmou que os Estados Unidos poderiam aprender com a experiência do País na realização de eleições. "Os Estados Unidos poderiam aprender com o Brasil a ter eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas", declarou.

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O presidente destacou a rapidez da apuração dos votos e voltou a defender a confiabilidade das urnas eletrônicas. "Não tem país do mundo que tenha um sistema de urna eletrônica como o nosso, em que duas horas após terminar as eleições, a gente já sabe o resultado em 27 estados da federação", disse.

Lula afirmou ainda que pretende mostrar o funcionamento das urnas a Trump em um próximo encontro. "A gente não fica como no século passado, com voto no papel. Então, se tem alguém que tem que aprender com as eleições civilizadas do Brasil, é o meu amigo Trump. Na próxima vez, vou levar uma urna eletrônica para mostrar para ele como é que ela funciona", afirmou o petista.

'Não se meta nas eleições do Brasil'

Ao encerrar o tema, o presidente reforçou que Trump pode manter sua proximidade com a família Bolsonaro, mas pediu respeito à soberania brasileira. "Acho que ele tem direito de ter as preferências eleitorais dele, as preferências ideológicas dele. Eu só espero que ele não viole o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania", afirmou.

Lula acrescentou que não vê problema em Trump apoiar Bolsonaro, mas disse que a relação não deve resultar em interferência política. "Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema. É um problema dele. Afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil. Como as eleições americanas são um problema deles, não é um problema meu", concluiu.

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Sem pedido de encontro bilateral

Lula também afirmou que não solicitou uma reunião bilateral com Trump durante a viagem. Segundo o presidente, o momento não era adequado para esse tipo de encontro, já que Brasil e Estados Unidos seguem negociando após as ameaças do governo norte-americano de impor novas tarifas ao País. "Ele [Trump] foi muito desaforado e agiu como imperador do mundo", declarou.

O presidente ainda comentou a decisão da gestão Trump de classificar as facções brasileiras Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Lula disse ter enviado ao líder norte-americano uma série de observações por escrito sobre o tema e outros assuntos, afirmando que Trump "fala muito e ouve pouco".

"Escrevi a ele que todas as armas que a Polícia Federal apreende no Brasil vêm de Miami, nos EUA", disse Lula. Na avaliação do presidente, as facções incluídas na lista de terrorismo de Washington representam uma ameaça ao Brasil, mas não se enquadram necessariamente na mesma classificação em âmbito internacional. Segundo ele, esses grupos "são criminosos para o povo brasileiro, não para o mundo".

Fonte: Portal Terra
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