O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cúpula do G7, realizada na França, e classificou o cenário político brasileiro como "complicado". A declaração foi dada ao responder perguntas de jornalistas sobre sua participação no encontro internacional.
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Questionado pela repórter Bianca Rothier sobre temas que envolvem a relação entre os dois países, como as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros e a classificação do PCC e CV como grupos terroristas, Trump não detalhou o conteúdo da conversa com Lula. O presidente norte-americano confirmar somente que os dois líderes estiveram juntos durante o evento.
"Eu passei bastante tempo com ele, na verdade", afirmou. "Tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente", acrescentou.
"Tem sido desagradável. Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele deu uma declaração no Texas. Prenderam ele, ou querem prender ele", disse.
Na declaração, no entanto, confundiu-se. Trump aparentemente se referiu ao deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, que foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal por tentativa de interferência em processo relacionado ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar da condenação, Eduardo Bolsonaro não foi preso, uma vez que a decisão ainda não transitou em julgado. Atualmente, ele reside nos Estados Unidos.
Trump o confundiu com outro filho de Bolsonaro, que é pré-candidato à presidência, o senador Flávio Bolsonaro.
Após a repercussão das declarações, Lula comentou o assunto durante uma coletiva de imprensa. O presidente brasileiro afirmou que Trump conhece pouco a realidade política do país. Lula também ressaltou que espera que o líder norte-americano não tente interferir no processo eleitoral brasileiro.
"Os EUA poderiam aprender com o Brasil, de eleições mais tranquila, mais leve e menos conturbada. Não tem país no mundo que tem sistema de urna eletrônica como o nosso, que, em duas horas após terminar as eleições, a gente já sabe o resultado em 27 estados. A gente não fica como no século passado com voto no papel, com uma lista com 500 nomes", disse Lula.
"Se tem alguém que tem que aprender com eleições civilizadas no Brasil é o meu amigo Trump. Na próxima vez [que encontrar Trump], vou levar a urna eletrônica pra mostrar como ela funciona. Eu acho que ele [Trump] tem direito de ter as preferências eleitorais dele, as preferências ideológicas dele, eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Eu só espero isso", prosseguiu Lula, conforme do GloboNews.
O presidente brasileiro reforçou que não teve reunião bilateral com Trump, apenas uma troca rápida em um corredor do evento.
"Para mim ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema, é problema dele, afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil porque as eleições do Brasil são problema do Brasil. A única coisa que quero é o respeito que tenho pelos EUA.", concluiu o presidente.