A desinformação criada com inteligência artificial no Brasil se tornou mais política em 2025. Quase 45% dos conteúdos falsos produzidos com IA no último ano apresentaram viés ideológico, um salto em relação aos 33% registrados em 2024. Além disso, mais de 75% dessas peças exploraram a imagem ou a voz de pessoas conhecidas, principalmente autoridades públicas.
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Os dados fazem parte do primeiro Panorama da Desinformação no Brasil, estudo do Observatório Lupa que aponta uma mudança estrutural na produção e no consumo da desinformação no país. Segundo o levantamento, o uso de IA deixou de ser predominante em golpes digitais e passou a ser empregado como arma política.
Entre os principais alvos dos conteúdos falsos identificados em 2025 estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citado em 36 ocorrências, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 33, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em 30 casos. Em todos eles, as manipulações consistiram em deepfakes sintéticos, abrangendo áudio, vídeo e estática.
No total, a circulação de conteúdos falsos gerados com inteligência artificial mais do que triplicou entre 2024 e 2025, com crescimento de 308%. O número de casos saltou de 39 em 2024, quando representavam 4,6% das checagens da Agência Lupa, para 159 em 2025, o equivalente a 25% de todas as verificações realizadas no ano.
O estudo analisou qualitativa e quantitativamente 617 conteúdos verificados em 2025, comparados a 839 checagens feitas em 2024.