Policial é preso por suspeita de estuprar quatro vezes mulher detida em delegacia

Caso aconteceu em Sorriso, no Mato Grosso; mulher denunciou o caso após ter sua prisão temporária revogada

3 fev 2026 - 16h21
(atualizado às 16h38)
Caso aconteceu em Sorriso, no Mato Grosso
Caso aconteceu em Sorriso, no Mato Grosso
Foto: Reprodução/Google Street View

Uma mulher denunciou ter sido estuprada quatro vezes por um policial, de 52 anos, enquanto estava detida em uma delegacia em Sorriso, no Mato Grosso. Ela chegou a ser presa por suspeita de envolvimento em um homicídio, mas teve sua prisão temporária revogada e responde em liberdade até a conclusão do inquérito. Após ser liberada, ela contou sobre os abusos à sua defesa, seu advogado agiu e o policial em questão foi preso neste mês de fevereiro.

Segundo Walter Djones Rapuano, advogado da vítima, tudo começou em dezembro passado. A mulher foi presa devido a um decreto de prisão temporária – que, após atuação da defesa e das investigações da Polícia Civil, foi revogado pelo próprio delegado.

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Ela foi detida no dia 8 de dezembro, passou por audiência de custódia dia 9, e foi transferida da Delegacia de Sorriso para a Cadeia Feminina de Arenápolis no dia 10. Depois, no dia 11, foi liberada. Foi em meio a esses dias que ela conta ter sofrido os abusos.

O primeiro abuso aconteceu, conforme relata, quando o policial em questão a levou para fazer o exame de corpo de delito. No retorno do exame, ele retirou a mulher de sua cela e a levou para uma sala vazia. Durante a noite e a manhã seguinte isso teria ocorrido quatro vezes. E, em uma das vezes, ele teria ejaculado dentro da vítima. Ela alega, ainda, que o homem ameaçou a vítima para que ela ficasse quieta e calada, senão mataria a sua filha menor de idade.

Quando foi solta, a mulher logo contou sobre a situação em sua primeira conversa com seu advogado. No dia 12 de dezembro, após retornar para Sorriso, ela foi junto com seu esposo ao Ministério Público para depor. Além disso, no mesmo dia ela coletou material genético e foram encontrados vestígios de esperma.

O Ministério Público seguiu com o caso em sigilo, ouviu depoimentos e coletou o DNA dos policiais que estavam de plantão no dia. “Com a chegada do resultado positivo na última sexta, dia 30 de janeiro, aliado a outras provas colhidas, deu-se o pedido de prisão, o deferimento e cumprimento na manhã de domingo, dia 1º de fevereiro”, conta o advogado.

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O que diz a Polícia Civil

Sobre a prisão da mulher, ao Terra, a Polícia Civil explica que ela foi presa em cumprimento de mandado de prisão temporária decretado pela Justiça após identificada por envolvimento em um homicídio ocorrido em Sorriso.

"No decorrer das investigações, a Delegacia de Sorriso representou pela revogação da prisão temporária, para que a investigada possa responder em liberdade até a conclusão do inquérito que segue em andamento na unidade policial visando apurar o respectivo homicídio", explicaram.

Já com relação ao policial, afirmam que um inquérito foi instaurado imediatamente após a Delegacia de Sorriso receber a denúncia do crime de violência sexual praticada pelo servidor dentro da delegacia contra uma mulher presa.

"Com base nos indícios apurados pela instituição representou-se pelo pedido de prisão que foi deferido pela Justiça. A Corregedoria Geral da Polícia Civil acompanha o caso e aguarda o recebimento dos autos relativos ao inquérito policial instaurado pela Delegacia de Sorriso, para as devidas providências legais que o caso requer", complementou a Polícia Civil.

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"A Polícia Civil de Mato Grosso reforça sua atuação de forma transparente quando surgem casos de servidores envolvidos em irregularidades. A instituição não pactua com servidores que cometem crimes e não tolera desvios de conduta de seus profissionais, bem como todas as ocorrências são apuradas com rigor", finalizaram, em nota.

Em caso de violência contra a mulher, denuncie

Violência contra a mulher é crime, com pena de prisão prevista em lei. Ao presenciar qualquer episódio de agressão contra mulheres, denuncie. Você pode fazer isso por telefone (ligando 190 ou 180). Também pode procurar uma delegacia, normal ou especializada.

Saiba mais sobre como denunciar aqui.

Fonte: Portal Terra
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