Com ação sobre líder de Lula, caso Master atinge campanhas dos líderes na eleição presidencial

Xadrez político segue em movimento até as eleições presidenciais de outubro

19 jun 2026 - 07h17
(atualizado às 07h18)
Lula e Flávio Bolsonaro, ainda como pré-candidatos, seguem como os favoritos nas pesquisas para as eleições presidenciais de outubro
Lula e Flávio Bolsonaro, ainda como pré-candidatos, seguem como os favoritos nas pesquisas para as eleições presidenciais de outubro
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Jaques Wagner, senador pelo Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia e líder do governo no Senado, foi alvo da Polícia Federal em nova fase da Compliance Zero, operação que investiga supostos envolvimentos em crimes do caso Master. Ele é mais um entre os políticos de direita e esquerda investigados no escândalo. Apesar do impacto generalizado em ano de eleição presidencial, a disputa segue entre os que lideram as pesquisas: Lula e Flávio Bolsonaro. Não há terceira via, é o que avaliam cientistas políticos ouvidos pelo Terra.

Acontecimentos do tipo não geram impacto em quem está à frente da corrida e nenhum dos lados vai abrir mão. É o que avalia Fabio Andrade, cientista político e professor da ESPM, considerando a força política em torno da família Bolsonaro e do governo Lula. Os dois pré-candidatos seguem consolidados como os favoritos e, mesmo que devam ser afetados pelo desenrolar do caso Master, ainda não será o suficiente para criar espaço para uma terceira via. “Não há tempo hábil, mesmo com todos os problemas”, acredita. 

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Ainda é preciso entender quais serão os impactos – que devem se dar, principalmente, em um segundo turno. Andrade fala sobre a dinâmica em que uma hora um político do lado A é citado nas investigações, e a munição fica nas mãos do lado B – e, logo depois, tudo se inverte. Por conta disso, a combinação entre o ‘timing’ das revelações com a proximidade das eleições pode determinar qual campo político sofrerá mais. 

“Aumentou a incerteza, porque parece que há indícios de que tanto o governo quanto a oposição e o centrão estão comprometidos. O que tem variado é o momento em que aparecem [as revelações]. E aí, conforme for mais perto da eleição, esse fator pode ser importante”, complementa Andrade.

Para o cientista político e professor do Insper Leandro Consentino, o escândalo pode criar algum tipo de migração dos eleitores mais independentes para abstenções, votos nulos e brancos, ou até mesmo para um candidato de ‘terceira via’, mas os eleitores consolidados dos dois pólos dificilmente devem abandoná-los.

O que o escândalo deve instigar cada vez mais é o sentimento de que “todos os políticos são iguais” e de que a política “não tem mais jeito” e que a “ladroagem está espalhada por todos os lados”. Percepções essas que, como cita Consentino, são complicadas de ficarem evidentes perto de eleições gerais.

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“Isso pode gerar de alguma forma um benefício àqueles que se colocam como antissistema, negando a política. E quem surfar nesse tipo de estratégia pode colher bons frutos também”, acredita, comparando a situação com o que aconteceu com a Lava Jato, devidas proporções. 

Já Christian Lynch, cientista político e professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), acredita que o impacto do envolvimento de Jaques Wagner estará longe de produzir sobre Lula os mesmos efeitos que aqueles produzidos sobre Flávio Bolsonaro.

“O candidato à presidência não é Jaques Wagner, é Lula. Que, ao contrário de Flávio, segue intocado pelo escândalo. Ademais, a imagem do PT como corrupto já está cristalizada junto ao eleitorado antipetista”, aponta. 

Sobre uma possível terceira via, ele diz que não há candidatos de centro e que o que pode ocorrer é o crescimento de figuras como Renan Santos ou Joaquim Barbosa, mas não o suficiente para remover um Bolsonaro. “Flávio tem teto baixo, mas piso mais alto que todos os concorrentes”.

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Mais sobre a operação

Foi deflagrada nesta quinta-feira, 18, a nona fase da Operação Compliance Zero – que investigou indícios de uma possível relação entre os gestores do Banco Master Augusto Ferreira Lima e Daniel Vorcaro com o senador Jaques Wagner (PT-BA).

Autos apontam uma relação antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança entre os investigados. Para o relator André Mendonça, o conjunto de mensagens, áudios, registros de chamadas, documentos contratuais, comprovantes de transferência e mais, justificaram a adoção de buscas e apreensões, assim como outras medidas cautelares.

As determinações incluem proibição de contato entre os investigados, acesso a dados telefônicos e telemáticos armazenados em equipamentos apreendidos, retenção de passaportes e buscas e apreensões. 

Relacionadas ao senador Jaques Wagner, especificamente, há três principais frentes de investigação: 

  • A aquisição de um apartamento em Salvador (BA), avaliado em cerca de R$ 2,4 milhões, que teria sido realizada por intermédio de terceiros para ocultar o beneficiário final;
  • Identificação de pagamentos e repasses destinados à BN Financeira Ltda. (empresa da família de Jaques Wagner) e a outras empresas ligadas ao núcleo familiar do senador;
  • Indícios de atuação parlamentar em temas de interesse do Banco Master, incluindo propostas sobre ampliação do crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada, aposentados e pensionistas; aumento do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e iniciativas de fiscalização da aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).  

Em nota, o senador Jaques Wagner diz que “não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados” e que acompanha com tranquilidade o andamento das investigações. “Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira”, afirma. 

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“Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá”, finaliza a assessoria do político.

O Terra acionou as assessorias dos partidos PT e PL em busca de posicionamentos sobre o caso. O espaço segue aberto e será atualizado em caso de retorno.

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Fonte: Portal Terra
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