MP investiga as condições de trabalho na Bombril após 3 funcionários serem assassinados por colega

Suspeito foi até a fábrica em dia de folga e cometeu o crime. Vítimas foram esfaqueadas; Bombril afirma que acompanha a atuação de empresa terceirizada junto às famílias das vítimas

5 ago 2026 - 20h26
(atualizado às 20h42)

Alerta: a reportagem abaixo trata de temas sensíveis. Se você está passando por problemas, veja ao final do texto onde buscar ajuda.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu um inquérito para apurar as condições do ambiente de trabalho na fábrica da Bombril, em São Bernardo do Campo, no ABC, após o assassinato de três empregados no último sábado, 1º.

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No final de semana, em nota ao Estadão, a Bombril afirmou que acompanha a atuação da TPC, empresa terceirizada, junto às famílias das vítimas. Questionada nesta quarta sobre o inquérito, a Bombril e a TPC não se manifestaram. O espaço segue aberto.

Segundo o MPT, a investigação pretende verificar os aspectos relacionados à organização do trabalho, gestão de riscos psicossociais e possíveis conflitos interpessoais dos trabalhadores.

Fachada da fábrica da Bombril, em São Bernardo do Campo, onde funcionário matou três colegas a facadas
Fachada da fábrica da Bombril, em São Bernardo do Campo, onde funcionário matou três colegas a facadas
Foto: Reprodução Google Street View / Estadão

"É necessário averiguar as condições do meio ambiente de trabalho, especialmente no que se refere à saúde mental, a fim de assegurar a saúde das pessoas trabalhadoras e preservar o direito fundamental à saúde e à segurança no trabalho", disse a procuradora Sofia Vilela de Moraes e Silva, responsável pelo procedimento.

As três vítimas foram atacadas por um colega de trabalho dentro da unidade localizada na Avenida Marginal Direita da Anchieta, no bairro Rudge Ramos. O suspeito dos crimes se matou após ser preso, segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). Todos eram funcionários da TPC.

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Funcionários foram esfaqueados

Segundo o boletim de ocorrência, o caso aconteceu às 6 horas. Claudio Henrique da Silva, de 33 anos, operador de empilhadeira, estava de folga quando teria ido até a fábrica e atacado José Guilherme de Moura com uma faca.

Em seguida, o acusado teria esfaqueado Douglas de Souza próximo a uma escada, conforme depoimentos. O supervisor Edvaldo Santos da Silva, que tentou jogar uma cadeira para conter o agressor, teria sido a terceira vítima.

Ainda segundo depoimentos, após os ataques, o agressor teria ainda procurado uma quarta pessoa, que não foi encontrada. Ele não tentou fugir e esperou a chegada da Polícia Militar, e se entregou sem resistência.

Segundo a SSP, após ser contido, Claudio foi levado ao 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo. No entanto, já detido, atentou contra a própria vida. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e confirmou a morte.

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A Corregedoria da Polícia Civil foi acionada para investigar as circunstâncias da morte dentro da delegacia.

O que diz a Bombril?

No sábado, a Bombril afirmou que acompanha a atuação da TPC junto às famílias, para oferecer assistência e acolhimento necessários.

Disse que mantém um canal de ética para denúncias de bullying, assédio e outras condutas inadequadas envolvendo funcionários próprios e terceirizados. E que oferece acompanhamento psicológico e médico aos trabalhadores, além de treinamentos sobre boas práticas no ambiente de trabalho.

A TPC informou que colabora com a investigação dos fatos, apura internamente o ocorrido e presta apoio aos familiares das vítimas.

Onde buscar ajuda

Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar ajuda:

Centro de Valorização da Vida (CVV)

Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.

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SUS

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes. Na cidade de São Paulo, são 33 Caps Infantojuventis e é possível buscar os endereços das unidades nesta página.

Mapa da Saúde Mental

O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.

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