O Banco Central oficializou a liquidação extrajudicial da instituição, que funcionava como o braço digital e popular do conglomerado controlado pelo Banco Master. A decisão põe fim a um período de incertezas que se arrastava desde novembro de 2025, quando a empresa-mãe sofreu intervenção. Durante esse intervalo, o banco digital operou sob um regime de administração especial (Raet), enquanto o mercado especulava sobre uma possível venda para investidores — solução que, conforme os fatos recentes, não se concretizou.
"Tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial", acrescentou o BC.
Crise do Banco Master
O estopim para o encerramento imediato das atividades foi um problema operacional grave: o descumprimento de pagamentos junto à Mastercard. Assim, sem honrar os compromissos com a bandeira, o Will Bank teve sua participação no arranjo de pagamentos bloqueada. Isso inviabilizou o uso de seus cartões e a continuidade do serviço aos milhões de clientes, especialmente concentrados no Nordeste brasileiro. Segundo o presidente do BC, Gabriel Galípolo, a insolvência e o vínculo direto com os problemas financeiros do grupo Master tornaram a liquidação a única saída para preservar a integridade do sistema financeiro.
Com o bloqueio das contas e a interrupção dos serviços, os bens dos controladores e ex-administradores, incluindo o empresário Daniel Vorcaro, tornaram-se indisponíveis por determinação legal. Para os clientes que possuem saldo em conta ou investimentos em CDBs da instituição, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) será acionado para realizar o ressarcimento, respeitando o limite de R$ 250 mil por CPF. O encerramento do Will Bank marca o colapso do último pilar relevante do ecossistema Master, reforçando o rigor da autoridade monetária diante de falhas de liquidez e gestão.