"É uma apólice de seguro", afirmou o ministro da Autossuficiência, Peter Borg, em coletiva na capital Nuuk. "Não esperamos realmente precisar usá-la", acrescentou. Segundo o governo, a elaboração da brochura começou no ano passado, inicialmente pensando em cortes de energia prolongados.
A Groenlândia tem cerca de 57 mil habitantes, quase 90% Inuits, para quem caça e pesca são historicamente as principais formas de subsistência. "Preparar-se é melhor do que nada", reforçou Borg. O primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen avaliou na terça-feira que uma operação militar contra a ilha é "improvável", mas que o território autônomo dinamarquês deve estar pronto para qualquer eventualidade.
Os Inuits são os povos indígenas do Ártico, habitantes tradicionais de regiões que hoje fazem parte do Canadá, Alasca (EUA), Groenlândia e partes do norte da Rússia. Eles vivem há milhares de anos em ambientes extremamente frios e desenvolveram conhecimentos únicos para caçar, pescar e se deslocar na tundra e sobre o gelo, usando técnicas adaptadas ao clima ártico.
O episódio se insere em um contexto internacional tenso: desde seu retorno ao poder, Donald Trump afirma querer "adquirir" a Groenlândia, justificando a ação como forma de frear avanços russos e chineses no Ártico. Embora tenha garantido em Davos que não usaria "força" para tomar a ilha, Trump reivindica "negociações imediatas" para obtê-la.
Contexto geopolítico atual
Pesquisas recentes indicam forte oposição da população local: segundo levantamento de janeiro de 2025, 85% dos groenlandeses rejeitam a anexação aos Estados Unidos, enquanto apenas 6% são favoráveis. Analistas internacionais veem a medida do governo local como uma precaução diante de pressões externas que aumentam e da crescente importância geopolítica do Ártico.
Autoridades groenlandesas e especialistas internacionais destacam que, embora um conflito armado seja visto como improvável, não pode ser totalmente descartado, levando o governo local a promover esse tipo de preparação cívica como medida preventiva diante de um ambiente de crescente competição geopolítica no Ártico e pressão externa.
Com AFP