Após nove dias, dois trabalhadores são resgatados de túnel no Nepal

4 set 2026 - 06h26
Resumo
Dois trabalhadores foram resgatados com vida e em estado estável após passarem nove dias soterrados em um túnel hidrelétrico no Nepal. O incidente decorre do colapso de uma geleira que gerou enxurradas devastadoras na fronteira com a China, deixando mais de 1,2 mil mortos e 4 mil desaparecidos. As equipes de resgate enfrentam lama, escombros e acessos bloqueados em uma corrida contra o tempo para alcançar cerca de 500 operários que ainda podem estar presos em galerias subterrâneas.

Estado de saúde de resgatados é estável. Equipes esperam encontrar mais sobreviventes, após a catástrofe que deixou mais de 1,2 mortos.Dois trabalhadores foram resgatados nesta sexta-feira (04/08) de um túnel soterrado por destroços em usina hidrelétrica, nove dias após a catástrofe que deixou de 1,2 mil mortos na região de fronteira entre o Nepal e a China.

Dois trabalhadores que estavam presos no túnel de uma usina hidrelétrica após as enchentes no Nepal foram resgatados
Dois trabalhadores que estavam presos no túnel de uma usina hidrelétrica após as enchentes no Nepal foram resgatados
Foto: DW / Deutsche Welle

Os dois trabalhadores do túnel da usina hidrelétrica Upper Trishuli 3A foram os primeiros a serem resgatados após o desastre que deixou centenas de pessoas presas em túneis relacionados a seis projetos hidrelétricos ao longo do rio. Eles foram transferidos para um hospital militar na capital Katmandu.

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Uma enxurrada de gelo, rocha, lama e detritos deixou um rastro de destruição em cidades e vilarejos situados em vales na quarta-feira passada, deixando mais de 4 mil desaparecidos, segundo os números oficiais. Acredita-se que o colapso de uma geleira tenha desencadeado o desastre.

Pelo menos 900 trabalhadores estão desaparecidos em projetos hidrelétricos, e acredita-se que cerca de 500 estejam dentro de túneis, segundo autoridades e representantes do setor. Mas o acesso aos túneis tem sido dificultado por inundações, destroços e infraestrutura danificada, o que torna difícil para as equipes de resgate chegarem aos trabalhadores.

Esperança de encontrar mais sobreviventes

Os trabalhadores resgatados na sexta-feira foram o encarregado mecânico Sanjay Sah e o supervisor mecânico Kabir Maharjan, informou o gabinete do Ministro da Energia, Biraj Bhakta Shrestha, em comunicado.

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Vídeos e fotos divulgados pelas autoridades nepalesas mostraram Maharjan sendo retirado de um buraco no chão em meio a aplausos e colocado em uma maca. O outro homem, Sah, foi carregado nas costas de um trabalhador até uma tenda de resgate, com o rosto coberto de lama.

Sah disse aos socorristas que passou um tempo recitando mantras enquanto estava preso, de acordo com o jornal Kathmandu Post. Ele afirmou que outras três ou quatro pessoas poderiam estar vivas no túnel, e que possivelmente haveria mais sobreviventes nas partes mais profundas.

Maharjan não consegue mover as mãos e as pernas, mas os ferimentos de Sah não são graves, disse um assessor do ministro da Energia. Ambos os sobreviventes estão numa unidade de terapia intensiva e apresentam sinais vitais estáveis.

Equipes correm contra o tempo

Uma equipe de especialistas utiliza um grupo no aplicativo WhatsApp para orientar os socorristas nas buscas nos projetos hidrelétricos, em uma ferramenta que se tornou valiosa, juntamente com helicópteros e máquinas pesadas, na corrida para encontrar sobreviventes.

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Outras operações de busca e resgate estavam em andamento ao redor do projeto Upper Trishuli 3A, informou o Exército nepalês, que lidera os esforços de resgate juntamente com a polícia, com a assistência de especialistas da Índia, Coreia do Sul e China.

Mohan Kumar Dangi, presidente da Associação de Produtores Independentes de Energia do Nepal, afirmou que as inundações danificaram pelo menos 12 projetos hidrelétricos nos distritos de Rasuwa e Nuwakot, com uma capacidade combinada de 670 MW. Quatro estavam em construção, sete em operação e um em fase de testes, afirmou.

Equipes auxiliadas por especialistas estrangeiros têm trabalhado em diversos projetos hidrelétricos, enquanto socorristas vasculham túneis escuros e cheios de escombros, avançando por lama e escalando pedras em busca dos desaparecidos.

O maior desafio para os socorristas é conseguir chegar até eles. Muitos dos projetos hidrelétricos do Nepal estão localizados em áreas remotas e montanhosas, onde o terreno acidentado e as estradas estreitas podem dificultar o acesso. As enchentes agravaram as condições, danificando estradas e limitando as rotas até alguns locais.

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Os socorristas também enfrentam túneis bloqueados ou danificados. As enchentes arrastaram lama, enormes pedras e escombros para as passagens subterrâneas, provocando o colapso de trechos e prendendo trabalhadores. Mesmo onde as entradas dos túneis são acessíveis, as equipes precisam remover grandes quantidades de escombros antes de alcançar os trechos mais profundos.

Pessoas presas no subsolo podem sobreviver sem alimento por algum tempo, mas a escassez de água potável e de ar respirável pode rapidamente se tornar uma ameaça à vida.

Número de mortos passa de 1,2 mil

Pelo menos 1.252 pessoas morreram no Nepal quando casas, ruas e escolas em cidades e vilarejos próximos à fronteira com o Tibete, na China, foram arrastadas pela enxurrada. Mais de 4,2 mil pessoas ainda estão desaparecidas e milhares tiveram de deixar suas casas. A China elevou o número de mortos no Tibete para 21, com outros 541 desaparecidos. Pelo menos 583 estrangeiros continuam desaparecidos, muitos deles peregrinos e turistas.

Propriedades, casas e infraestrutura no valor de pelo menos 2,56 bilhões de dólares (R$ 13 bilhões) foram destruídas ou danificadas na catástrofe da semana passada, afirmou Dharma Raj Upreti, chefe da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal, nesta sexta-feira.

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O Nepal precisará reconstruir cerca de 20 mil casas em áreas devastadas pelas enchentes, disse Upreti, sendo que ao menos 7,5 mil dessas casas foram totalmente destruídas.

rc/cn (AP, AFP, Reuters, Lusa)

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