No Fórum de Madri, sediado pelo líder chileno José Antonio Kast em Santiago, o presidente argentino Javier Milei convocou forças de direita e extrema-direita a criarem uma rede internacional contra o avanço da esquerda, acusada de colonizar instituições. Celebrando recentes vitórias conservadoras e mirando governos como Cuba e Nicarágua, o evento reuniu apoiadores que exaltaram a liberdade econômica e valores familiares, enquanto estudantes protestavam do lado de fora contra o encontro.
Naïla Derroisné, correspondente da RFI em Santiago
O evento teve como anfitrião o presidente chileno, José Antonio Kast, um dos fundadores do fórum. Os participantes celebraram o que chamaram de uma "nova era" para o continente, citando as recentes vitórias eleitorais de líderes da direita e da extrema direita na Colômbia, no Peru, na Bolívia e em Honduras.
Convidado de honra do encontro, Milei abriu os discursos defendendo uma maior cooperação entre as forças conservadoras diante da esquerda, que considera um "mal".
O presidente argentino acusou os setores progressistas de terem "colonizado" instituições, universidades e meios de comunicação, de onde, segundo ele, difundem suas ideias e tentam retomar o poder.
"A direita precisa se organizar. Se eles tiveram sua Internacional Socialista, nós devemos aprofundar nossos laços de amizade e construir nossa própria rede internacional na região e no mundo", afirmou Milei. "A esquerda está organizada em escala regional há décadas. Uma organização ruim se combate com uma boa organização, não há outra forma", acrescentou o argentino.
O líder argentino também elogiou José Antonio Kast, a quem chamou de seu "amigo".
O presidente chileno adotou um tom menos combativo, mas afirmou que a América Latina está vivendo uma profunda transformação política. "A América Latina vive uma mudança profunda, com novos líderes. E, se continuarmos fazendo as coisas da maneira certa, chegaremos a Manágua e Havana", declarou, em referência aos governos da Nicarágua e de Cuba.
Apoio entre jovens e protestos
Na plateia, muitos jovens participaram do encontro. Rocío, estudante, afirmou que "a liberdade é o mais importante". Já seu amigo Vicente disse defender a família como "o coração das nossas sociedades".
Claudio, professor universitário, também comemorou o atual cenário político na região. "Na minha opinião, as correntes de esquerda e socialistas não resolvem os problemas das pessoas. Já a liberdade econômica resolve. Ela permite o desenvolvimento dos povos", afirmou.
Enquanto o fórum acontecia, dezenas de estudantes protestavam no centro da capital chilena contra a realização do encontro, que consideram um espaço de articulação da extrema direita internacional.