A Venezuela assinou oito contratos com petroleiras internacionais como Chevron e ENI, além da General Electric, na presença do secretário de Energia dos EUA, Christopher Wright. Contudo, a cerimônia não oficializou a ampla parceria energética recém-anunciada por Donald Trump para explorar 17 campos. Esse megaprojeto, ainda sem formalização entre os governos, prevê forte controle norte-americano na gestão, prioridade de compra e 35% de participação societária dos EUA na operadora NABEP.
Pedro Pannunzio, correspondente da RFI na Venezuela
Sob o olhar do secretário de Energia dos Estados Unidos, Christopher Wright, o governo venezuelano firmou, nesta quarta-feira (2), uma série de acordos com empresas estrangeiras para a exploração das reservas de petróleo do país, no que foi classificado pela presidente interina, Delcy Rodríguez, como um "dia histórico".
Ao todo, oito documentos foram assinados. A norte-americana Chevron e a italiana ENI, que estão entre as companhias contempladas nas negociações, obtiveram contratos para operar em novos campos petrolíferos. Também foi firmado com a norte-americana General Electric um contrato para a recuperação do sistema elétrico. Há meses, diferentes regiões da Venezuela sofrem com apagões.
A cerimônia, realizada no Palácio de Miraflores, sede do governo venezuelano, ocorreu poucos dias depois do anúncio de um acordo entre os Estados Unidos e a Venezuela, definido pelo presidente norte-americano, Donald Trump, como o "maior acordo petrolífero da história do mundo", em publicação na última sexta-feira (28).
Havia a expectativa de que o secretário de Energia do governo Trump desembarcasse em Caracas para formalizar o que havia sido anunciado na semana passada. No entanto, isso não ocorreu durante a cerimônia, o que aumentou as dúvidas em torno do que foi acertado entre os dois países.
Exploração de 17 campos petrolíferos
Questionada se a nova sociedade já havia sido assinada, Delcy Rodríguez se limitou a dizer que "este acordo teve duas partes, uma nos Estados Unidos e uma na Venezuela", que possui as maiores reservas de petróleo bruto do planeta.
Christopher Wright, por sua vez, destacou o controle da Casa Branca sobre a operação. "A maioria dos diretores das empresas serão norte-americanos. Teremos controles muito rigorosos sobre o fluxo de recursos financeiros nos negócios e sobre a forma como as operações são conduzidas".
No dia anterior, a Assembleia Nacional da Venezuela havia colocado em votação um projeto de "respaldo ao Convênio Energético Binacional" entre os dois países. Após uma divergência levantada pela oposição sobre a falta de clareza em torno do contrato, Jorge Rodríguez, presidente do parlamento e irmão de Delcy Rodríguez, afirmou que "o acordo binacional foi anunciado e ainda não foi formalizado por aqueles que devem fazê-lo, que são os dois governos".
O entendimento entre os Estados Unidos e a Venezuela prevê a exploração de 17 campos petrolíferos, cujas reservas somadas chegam a 65 bilhões de barris de petróleo. A operação ficará a cargo da NABEP (North American Blue Energy Partners), do empresário venezuelano Alejandro Betancourt, que, segundo comunicado da Casa Branca, cedeu aos Estados Unidos 35% de participação societária na empresa. Washington poderá comprar 20% da produção a preço de custo e terá prioridade na compra dos outros 80%.