Grand Canyon entra em alerta para novas enchentes após morte e 15 desaparecidos

O Serviço Nacional de Parques (NPS) e os serviços meteorológicos dos Estados Unidos emitiram alertas em seus sites sobre o risco de novas enchentes no Grand Canyon nesta segunda-feira (31), após a morte de uma pessoa em uma inundação repentina que atingiu o parque, um dos destinos turísticos mais visitados do oeste norte-americano, no último fim de semana. Segundo um relatório preliminar divulgado pelas autoridades no domingo, 15 pessoas continuam desaparecidas.

31 ago 2026 - 10h28
Resumo
O Grand Canyon está em alerta para novas enchentes e deslizamentos após fortes tempestades causarem a morte de um homem de 46 anos e deixarem cerca de 15 pessoas desaparecidas. A enxurrada destruiu passarelas, danificou a tubulação essencial de água e forçou a retirada de 62 pessoas e o fechamento de alojamentos. O Serviço Nacional de Parques orienta atenção redobrada aos visitantes até meados de setembro devido ao risco contínuo de correntes mortais em cânions estreitos.

Novas tempestades e chuvas intensas podem provocar "mais enxurradas repentinas, fluxos de detritos e deslizamentos de rochas", informou a administração do parque. O risco se estende a "cursos d'água, leitos de riachos normalmente secos, poços naturais e áreas recentemente atingidas por incêndios", destacou o Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) em seu boletim noturno.

Imagem divulgada pelo Serviço de Parques Nacionais do Grand Canyon via X em 30 de agosto de 2026, mostra os restos de pilares de uma ponte de pedra ao longo do riacho Bright Angel, após uma enxurrada repentina que destruiu a passarela de pedestres, em 29 de agosto.
Imagem divulgada pelo Serviço de Parques Nacionais do Grand Canyon via X em 30 de agosto de 2026, mostra os restos de pilares de uma ponte de pedra ao longo do riacho Bright Angel, após uma enxurrada repentina que destruiu a passarela de pedestres, em 29 de agosto.
Foto: AFP - J.THOMPSON,HANDOUT / RFI

O órgão também advertiu para o perigo de "correntes violentas e mortais" em cânions laterais estreitos. "Travessias de cursos d'água podem ficar submersas", acrescentou.

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O NPS recomenda que os visitantes redobrem os cuidados pelo menos até meados de setembro.

A enchente do fim de semana atingiu o Bright Angel Canyon e a região ao redor do Phantom Ranch, alojamento situado no fundo do Grand Canyon, no sábado (30). 

"As operações de resgate de um homem de 46 anos, próximo a Crystal Rapids, ao longo do Rio Colorado, foram concluídas", informou a unidade local do NPS na noite de domingo, por meio da rede social X. Um médico-legista foi enviado ao local, acrescentou a agência, sem divulgar mais detalhes.

Vídeos registrados por trilheiros mostram uma torrente de água barrenta avançando com forte estrondo ao longo de uma trilha e sob passarelas, enquanto troncos de árvores e outros detritos eram carregados pela correnteza.

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Até a noite de domingo, o NPS buscava "informações sobre cerca de 15 pessoas que poderiam estar desaparecidas ou cujo paradeiro permanecia desconhecido".

Inicialmente, as autoridades do parque haviam informado que mais de 20 pessoas estavam sendo procuradas. Mais cedo, no domingo, o serviço relatou que 62 pessoas haviam sido retiradas da área afetada.

Tubulações danificadas

A enchente também comprometeu uma tubulação essencial para o abastecimento de água do parque, segundo o NPS. Restrições ao consumo foram impostas na área mais movimentada da reserva, e fogueiras estão proibidas.

A força da inundação causou danos significativos à infraestrutura local, destruindo "quase todas as passarelas" sobre um riacho e interrompendo a travessia dos trilheiros.

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As acomodações para pernoite serão fechadas a partir desta segunda-feira, acrescentou o órgão.

"Essas medidas são cruciais para garantir a segurança e a viabilidade de longo prazo dos recursos hídricos", enfatizou o NPS.

Seca recorde

A enxurrada repentina, iniciada por volta das 14h30 de sábado (17h30 em Brasília), foi provocada por fortes chuvas no Planalto de Kaibab.

Enchentes repentinas são frequentes no norte do Arizona, onde o solo árido tem baixa capacidade de absorção da água da chuva.

Esses episódios ocorrem em meio a uma seca histórica no sudoeste dos Estados Unidos. Os dois reservatórios artificiais localizados a montante e a jusante do Grand Canyon registram níveis historicamente baixos, ameaçando tanto a geração de energia hidrelétrica quanto o abastecimento de água de cerca de 40 milhões de pessoas que dependem do Rio Colorado.

Considerado uma das maiores maravilhas naturais do planeta, o Grand Canyon foi esculpido ao longo de milhões de anos pela ação erosiva do rio Colorado sobre camadas de arenito vermelho e outras formações rochosas. No ano passado, mais de 4,4 milhões de turistas visitaram o parque, de acordo com dados oficiais. Os meses de maior movimento são justamente julho e agosto.

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Com AFP

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