Opinião: Passividade de Tralli e falta de sintonia com Renata decepcionam em sabatina da Globo

Projeto da emissora carioca foi alvo de críticas na estreia de César Tralli

30 ago 2026 - 07h19
César Tralli e Renata Vasconcellos mostraram falta de sintonia
César Tralli e Renata Vasconcellos mostraram falta de sintonia
Foto: Reprodução

Um ano após assumir a bancada do Jornal Nacional na vaga histórica de William Bonner, César Tralli encarou seu primeiro grande teste de fogo: comandar a rodada de sabatinas com os candidatos à Presidência da República. Contudo, o desempenho do apresentador destoou do peso da ocasião. A falta de sintonia e o descompasso de ritmo entre ele e Renata Vasconcellos ficaram escancarados a cada entrevista. Não à toa, a Globo preferiu apostar na experiência de Renata Lo Prete para o segundo turno.

Por vezes, Tralli transmitiu uma insegurança desconcertante ao lado de Renata. Ficou visivelmente perdido, travou ao formular questionamentos e chegou a bater cabeça atropelando a companheira no ar, um nervosismo desproporcional para quem carrega o currículo que tem e o peso do posto de substituto de Bonner.

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Desde a primeira sabatina, com Romeu Zema (Novo), Renata assumiu as rédeas do estúdio. A jornalista não deixou o presidenciável confortável em momento algum, interrompendo com firmeza sempre que as respostas viravam mero palanque eleitoral. Tralli até tentou adotar a mesma postura incisiva, mas, na maioria de suas intervenções, acabou atropelado pela prolixidade dos entrevistados. A fragilidade ficou ainda mais evidente diante de Ronaldo Caiado (PSD), quando o apresentador demonstrou total dificuldade para impor o ritmo do debate e conturbar a oratória do político.

Na sabatina com Renan Santos (Missão), Tralli teve seu momento mais equilibrado, mas ainda assim soou como um figurante das aulas de questionamentos de Renata, que continuou encarregada de tirar o convidado da zona de conforto. 

O contraste entre os dois âncoras atingiu o ápice no embate com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto Renata Vasconcellos vestia a camisa do jornalismo da emissora para defender a história da cobertura da Globo contra as investidas do mandatário, Tralli recuou, adotando um tom defensivo e preferindo pedir desculpas ao vivo.

O que já era preocupante virou um verdadeiro desastre na sabatina com Flávio Bolsonaro (PL). Tralli e Renata se atropelavam ao tentar formular perguntas e chegaram a permitir um silêncio constrangedor no estúdio, como se tivessem ficado sem repertório. O candidato aproveitou a insegurança da bancada para comandar o ritmo da conversa e disparar informações falsas sem receber o devido contraditório, uma omissão grave que gerou críticas pesadas na própria Globo.

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Não se trata de julgar qual estilo de apresentação é o "correto", mas sim de constatar uma incômoda desconexão. Se a meta editorial do Grupo Globo era apertar todos os candidatos para impedir que a bancada virasse palanque eletrônico, como fez na Globonews, o caminho traçado por Renata foi mais coerente.

Tralli, por sua vez, lembrou muito a postura de Tadeu Schmidt tentando soar bravo no Jogo da Discórdia do BBB: faltou autoridade, sobrou hesitação e pesou a falta de pulso para a dimensão institucional que a bancada e o público exigem. No fim, é o grande derrotado das sabatinas.

Fonte: Portal Terra
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