O promotor Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo, cogitou pedir busca e apreensão para ter acesso a imagens de câmeras de segurança do Parque São Jorge, sede social do Corinthians, conforme informado inicialmente pelo GE e confirmado pelo Estadão. O intuito é apurar uma denúncia de que o ex-presidente Andrés Sanchez, investigado por uso indevido do cartão corporativo do clube, descumpriu a medida cautelar que o impede de ter contato com outros dirigentes corintianos.
Procurado, o Corinthians afirma apenas "que atendeu de forma oficial a solicitação do Ministério Público". A defesa de Andrés Sanchez, liderada pelo advogado Fernando José da Costa, disse ter sido surpreendida com a instauração do procedimento adotado pelo MP e afirmou que "adotará as medidas judiciais cabíveis para questioná-lo"
"Andrés não descumpriu quaisquer das medidas cautelares a ele impostas, sendo certo que, em razão de sua função institucional no SCCP, bem como da participação em eventos ou locais públicos, não lhe é possível prever ou controlar todas as pessoas com quem eventualmente venha a ter contato", diz o comunicado.
Conserino expediu dois despachos, um em 4 de fevereiro e outro nesta segunda-feira, 9, solicitando as imagens, inclusive do quinto andar, onde fica a sala do presidente Osmar Stábile. Andrés esteve no clube no dia 1º dezembro, para prestar depoimento ao Conselho Deliberativo sobre o caso dos cartões, mas no terceiro andar. Ele está proibido de frequentar o clube desde o dia 11 de dezembro, conforme determinado pela medida cautelar.
O primeiro despacho foi recebido com surpresa por Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do clube. Por causa da notificação, Tuma determinou a suspensão dos processos de investigação internos contra Andrés e Duílio Monteiro Alves, também investigado por uso indevido de recursos do clube, alegando que não houve "comunicação eficaz" entre a diretoria e o Conselho para compartilhar as informações vindas do MP.
Agora, ele quer que a Justiça conceda ao Conselho acesso ao processo para evitar o que chamou de "descumprimentos" de decisões judiciais. As ações de Tuma são citadas no segundo despacho, em que Conserino diz entender que o dirigente está "depondo contra a própria entidade". No texto, ainda afirma que recebeu uma denúncia de que Andrés teria sido visto no clube nos dias 11, 12 e 13 de dezembro, quando já estava em vigor a medida cautelar.