Toto Wolff é um dos maiores nomes da história da Mercedes no automobilismo. O chefe da equipe de Fórmula 1 levou o time a oito títulos de construtores e sete títulos de pilotos entre 2014 e 2021. Antes de se tornar um executivo de sucesso, Wolff trilhou um caminho diferente: ele não nasceu em uma família rica e, mesmo apaixonado por automobilismo, precisou primeiro construir uma carreira sólida no mercado financeiro para ter recursos e se aventurar no que mais amava, as corridas.
Início tardio no automobilismo
Wolff começou sua trajetória nas pistas de forma relativamente tardia, já com mais de 25 anos. Ele só conseguiu entrar em campeonatos relevantes aos 29 anos.
Red Bull, Ferrari, Porsche e BMW
Na Fórmula 1, Wolff enfrentou principalmente Ferrari e Red Bull, enquanto no automobilismo em geral a Mercedes disputa espaço com outras marcas alemãs, como Porsche e BMW. Curiosamente, Toto passou por todas elas em sua carreira como piloto.
Suas primeiras corridas de nível internacional aconteceram em 2001, competindo com um Porsche 966 GT3-RS no FIA GT e no Campeonato Italiano de GT. Logo em sua segunda prova, os 500 km de Nürburgring, Wolff correu com um carro patrocinado pela Red Bull, que na época ainda não tinha equipe na Fórmula 1, mas já investia pesado em eventos esportivos.
Toto seguiu correndo com Porsche até 2003, em modelos da categoria GT2. Em 2004, fez uma corrida com a BMW e também se juntou à equipe JMB Racing, que utilizava a Ferrari 575 Maranello GT1. Formou um trio austríaco ao lado de Karl Wendlinger e Robert Lechner, disputando quatro etapas e conquistando um 2º lugar em Magny-Cours, na França.
Apesar dos bons resultados, Wolff já era um executivo e, naquele mesmo ano, fundou uma nova empresa. A necessidade de focar nos negócios o levou a deixar o FIA GT, embora tenha continuado participando de algumas corridas em outros campeonatos. Em 2005, correu em poucas provas internacionais, como as 24 Horas de Nürburgring e as Mil Milhas Brasileiras, em Interlagos.
Bicampeão das Mil Milhas Brasileiras
A mais tradicional prova do automobilismo brasileiro, as Mil Milhas de Interlagos, contou com a participação de Toto Wolff em 2004 e 2005. Ele competiu com um BMW M3 E46, carro lendário para os fãs do esporte, novamente com pintura da Red Bull.
Em 2004, dividiu o carro com Philipp Peter, Klaus Engelhorn e Dieter Quester. O quarteto terminou em 3º lugar no geral e venceu na sua categoria, a Classe 2. Em 2005, retornou com o mesmo carro, mas com mudanças na equipe: Karl Wendlinger e Stefano Zonca substituíram Peter e Engelhorn. O grupo venceu novamente em sua classe, a ST, e terminou em 6º lugar no geral.
Rally
Entre 2004 e 2009, Toto participou de vários eventos de rally, principalmente na Áustria, onde chegou a ficar em 2º lugar no campeonato local. Quase sempre com o Mitsubishi Lancer Evo Sempre levava o carro ao limite e às vezes passava dele. Por isso, abandonou 15 dos 33 eventos que disputou. Ainda assim, conquistou duas vitórias: vitória geral no Rally de Triestingtal e vitória por classe no Rally Bosch Super Plus.
Tentando bater o recorde de Niki Lauda
Muito antes de se tornar parceiro de Niki Lauda na Mercedes F1, Toto tentou quebrar o recorde do austríaco em Nürburgring. Em abril de 2009, foi para a pista com um Porsche 911 RSR, buscando superar o tempo de 7min07s000. Logo na primeira tentativa, conseguiu 7min03s28 em 20,8 km.
Animado, tentou bater o recorde histórico de 6min58s6, feito por Lauda em 1975 com uma Ferrari de Fórmula 1. Durante o trecho da Fuchsrohre, a altíssima velocidade fez um pneu estourar e Wolff bateu a 270 km/h. Sofreu fraturas múltiplas e foi levado em estado grave ao hospital, mas conseguiu se recuperar. Após isso, aposentou-se das pistas de asfalto.
Niki Lauda comentou: “A missão suicida mais estúpida de que já ouvi falar em toda a minha vida.” A Porsche afirmou: “Foi a gaiola de proteção mais danificada que um piloto já conseguiu trazer ao box em um acidente sozinho.”
F1: Mercedes e Williams
Ainda em 2009, Toto Wolff comprou 5% da Williams F1, um negócio histórico, já que até então Frank Williams e Patrick Head eram os únicos donos do time. Seu trabalho como diretor executivo adjunto foi tão bom que, em 2013, deixou a Williams para ser contratado como chefe de equipe da Mercedes, também adquirindo participação acionária no time. Com o tempo, Wolff se desfez de todas as ações da Williams e hoje é sócio apenas da Mercedes.