A Ferrari prepara um pacote com ADUO para o GP da Áustria, em uma tentativa de reduzir a desvantagem da sua unidade de potência para as equipes rivais. De acordo com o site Autoracer, a Scuderia planeja introduzir a terceira unidade de potência da temporada já em Spielberg, marcando o primeiro passo de uma estratégia de desenvolvimento dividida em duas etapas.
Ainda não é oficial, mas a FIA já notificou os fabricantes sobre o ranking que determina os ADUO. Segundo fontes citadas pelo site, a revisão mais recente não alterou significativamente os relatórios iniciais, que apontaram a Red Bull como referência da categoria. A Ferrari, por sua vez, ficou acima do limite de 4% de déficit, garantindo duas oportunidades adicionais para o desenvolvimento de sua unidade de potência.
No entanto, para surpresa do paddock da F1, a Mercedes não apareceu como dona do melhor motor a combustão interna. Antes da divulgação do ranking, as estimativas apontavam a fabricante alemã na liderança, com cerca de 580 cv, à frente da Red Bull Powertrains e dos 550 cv da Ferrari. Porém, a margem de erro e os critérios utilizados pela FIA para o cálculo final poderiam alterar significativamente esses valores.
Nesse caso, a Red Bull, mesmo sendo uma fabricante de motores novata, tem o melhor motor de combustão interna. Ainda assim, a Mercedes possui a melhor unidade de potência geral de acordo com os cálculos da FIA, apesar das expectativas indicarem que a Mercedes ficaria abaixo do limite de 2%, mantendo margem para evoluir sua unidade de potência.
Com isso, a Ferrari precisou definir sua estratégia para utilizar o ADUO. A equipe avaliou dois cenários: se introduziria uma atualização menor na primeira oportunidade disponível, aproveitando o adiantamento parcial de € 3 milhões permitido, ou guardaria parte dos recursos para desenvolver uma especificação mais completa, que poderia estrear cerca de seis corridas depois.
Outra possibilidade seria evitar a homologação. Opção que demandava mais tempo, porém proporcionava margem maior de recuperação a longo prazo, além de reduzir preocupações com futuras inspeções. Nesse caso, o pacote não se limitaria a materiais e gerenciamento de degradação, permitindo atuar de maneira mais ampla sobre os elementos ainda "em aberto" dentro dos limites de regulamentação.
Como a construção da terceira unidade de potência já havia começado, a possibilidade da Ferrari introduzir duas atualizações em sequência entre julho e setembro foi descartada. Se tudo ocorrer conforme o planejado, o ADUO 1 deve ser preparado no GP da Áustria, enquanto o ADUO 2 poderá estrear após a segunda inspeção. A nova gasolina da Shell também já está pronta para uso da equipe e pode render cerca de 5 cv adicionais.
Ainda assim, existe a possibilidade de que parte dos recursos seja direcionada para o desenvolvimento da futura regulamentação híbrida de 2027, que deve ser aprovada pelo Conselho Mundial, em Macau ainda em junho. Recentemente, a briga política sobre o tema seguia aberta, com a Red Bull pressionando por mudanças mais significativas nas regras atuais.
Outras fabricantes preferiam manter a estrutura existente. A Cadillac, por exemplo, embora participasse das discussões, não parecia disposta a contrariar a posição da Ferrari, dificultando a formação de uma supermaioria. Enquanto a Red Bull pressionava por mudanças imediatas, Ferrari e Audi preferiram aproveitar suas licenças de atualização para recuperar terreno no desenvolvimento das unidades de potência.
Não por acaso, as equipes, a FIA e a F1 chegaram a um acordo para implementar de forma gradual a nova proporção híbrida dos motores, enquanto os futuros e mais simples V8 poderiam ser antecipados para 2029, caso as fabricantes consigam garantir seu desenvolvimento e produção.