Volkswagen não está em negociações com empresas chinesas, diz CEO em tentativa de acalmar trabalhadores

20 mai 2026 - 14h19

A Volkswagen da Alemanha não está atualmente ‌em negociações com fabricantes chineses a respeito da capacidade ociosa em suas fábricas de automóveis na Europa, embora o problema precise ser abordado, disse o presidente-executivo Oliver Blume numa assembleia geral de trabalhadores nesta quarta-feira.

A reunião ocorre em meio a crescentes especulações sobre o futuro das fábricas alemãs da Volkswagen, já que a ⁠queda nos lucros, a fraca demanda e a intensa concorrência pressionam a maior ‌montadora da Europa a reduzir sua extensa rede.

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"Ainda temos capacidade ociosa em nossas fábricas na Europa e na Alemanha. Precisamos resolver isso para continuarmos competitivos", disse ‌Blume em Wolfsburg, acrescentando que "atualmente não há planos ‌ou discussões com fabricantes chineses".

REDUÇÃO DE CUSTOS

O presidente-executivo afirmou que três anos ⁠de contenção de custos - incluindo 50.000 cortes de postos de trabalho na Alemanha, com reduções nas suas marcas Audi e Porsche - haviam tornado a empresa robusta para tempos incertos, abalados por tarifas elevadas e mercados em constante mudança.

No entanto, ele alertou que a montadora não retornaria aos níveis de vendas pré-pandemia na Europa e ‌que o modelo de negócios de décadas do grupo, baseado na exportação de carros ‌da Alemanha para o ⁠mundo todo, estava sendo ⁠substituído pela necessidade de localização em mercados-chave como a China, onde a Volkswagen opera por ⁠meio de joint ventures com empresas locais.

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A ‌Volkswagen prometeu evitar o fechamento ‌de fábricas, em acordo com os sindicatos alemães e o influente conselho de trabalhadores da empresa.

No final do mês passado, Blume afirmou que contratos com empresas de defesa ou acordos de compartilhamento de fábricas chinesas poderiam oferecer ⁠soluções, gerando especulações na mídia sobre possíveis parcerias, como os acordos recentes firmados entre a Stellantis e montadoras chinesas.

Temendo pelo impacto na indústria local, autoridades governamentais dos estados da Baixa Saxônia e da Saxônia manifestaram abertura para parcerias com empresas chinesas na instalação de fábricas.

Mas, com montadoras ‌chinesas como a BYD e a Chery buscando aumentar a participação de mercado na Europa, outros alertaram que a formação de parcerias poderia oferecer uma vantagem aos concorrentes.

CONSELHO ⁠DE TRABALHADORES REAGE

A Volkswagen está avançando nas negociações para vender sua fábrica em Osnabrück, no norte da Alemanha, para um parceiro do setor de defesa.

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Em suas fábricas em Wolfsburg, Emden e Zwickau, a empresa afirma já ter reduzido os custos em mais de 20% em média no ano passado.

A presidente do conselho de trabalhadores, Daniela Cavallo, pediu o fim das especulações sobre o futuro das fábricas alemãs.

"Tem-se a impressão de que a Volkswagen está quase sendo alvo de uma aquisição e precisa ser resgatada", disse Cavallo a milhares de trabalhadores na assembleia de funcionários.

Ela pediu à administração que se concentrasse no sucesso dos produtos da Volkswagen, em vez de "no enésimo debate sobre supostos fechamentos de fábricas ou supostas negociações com terceiros sobre usos alternativos para nossas fábricas".

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