RIO - O advogado Otto Lobo, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), teve seu nome aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, após sabatina. O nome de Lobo, que ainda precisa ser submetido ao plenário da Casa, recebeu 19 votos a favor e 4 contra na CAE.
Também foi aprovado o nome do advogado Igor Muniz, com 19 votos, para uma diretoria na reguladora do mercado de capitais. Seu nome também irá ao plenário.
Na sabatina, Lobo foi questionado sobre o caso Ambipar e disse que não se pode atuar sob pressão de jornais. "O presidente da CVM não pode se dobrar a pressões externas", afirmou. Ele frisou que nunca houve benefícios ao Master em sua atuação na reguladora.
O advogado foi indagado também, pelos senadores, sobre eventual apoio do empresário Joesley Batista, como em rumores que correm nos bastidores, e disse que não tem informações sobre isso. Também afirmou que não se sente impedido para julgar casos envolvendo a JBS, inclusive porque as decisões são colegiadas.
Os bastidores da indicação
Lobo foi formalmente indicado ao posto em janeiro, por Lula, mas, até recentemente, Alcolumbre segurava o despacho. O senador se irritou após integrantes do governo o apontarem como "padrinho" da indicação de Lobo, o que o parlamentar nega. O então ministro da Casa Civil, Rui Costa, é que estaria por trás do seu patrocínio para o posto.
O indicado exerceu o cargo de presidente interino da CVM até o dia 31 de dezembro, quando acabou o seu mandato. Ele chegou à diretoria do órgão em 2022, sob a indicação do então presidente da República Jair Bolsonaro.