A transição para uma economia sustentável avança com foco na execução, impulsionada pelo comércio e tecnologia, aponta o Fórum Econômico Mundial. Apesar da fragmentação geopolítica e da desigualdade regional, a economia verde deve superar US$ 7 trilhões até 2030, com a maioria das empresas mantendo ou ampliando aportes no setor. Além disso, a inteligência artificial surge como forte aliada dessa agenda, embora seu alto consumo energético gere alertas entre a maioria dos executivos de sustentabilidade.
A transição global para uma economia mais sustentável dá sinais claros de progresso em meio ao impulso comercial e tecnológico, apesar do freio imposto pela fragmentação geopolítica e pela crescente cobrança por resultados de curto prazo nas empresas, aponta um relatório do Fórum Econômico Mundial (WEF, em inglês) divulgado nesta terça-feira, 15.
O estudo, realizado em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, — que afetou o Estreito de Ormuz e agitou os mercados globais — conclui que os executivos estão lidando com a volatilidade geopolítica e econômica "com mais convicção do que cautela".
Segundo o relatório, 63% dos executivos de sustentabilidade (CSOs, na sigla em inglês) esperam que o progresso global em sustentabilidade se mantenha estável ou acelere nos próximos 12 meses. Três em cada quatro entrevistados também projetam que os investimentos corporativos ligados à transição verde vão se manter ou aumentar.
O Fórum, entretanto, afirma que a transição vem se tornando desigual, num processo descrito como "divergência verde", em que setores e regiões avançam em velocidades muito diferentes. Ainda assim, a economia verde global — estimada em mais de US$ 5 trilhões por ano — deve superar US$ 7 trilhões até 2030 e segue entre os segmentos que mais crescem no mundo.
"Os diretores de sustentabilidade estão nos dizendo que a transição não é mais uma questão de ambição, é uma questão de execução", disse Sebastian Buckup, diretor-gerente do WEF.
A pesquisa também indica que 78% dos CSOs esperam que conflitos, políticas inconsistentes e o enfraquecimento do multilateralismo pesem sobre o avanço no próximo ano — mais como fragmentação do que como uma desaceleração uniforme.
Além disso, para 73% dos entrevistados, a inteligência artificial pode acelerar a agenda sustentável, sobretudo em medição, relatórios, eficiência e modelagem de riscos. Porém, 77% apontam o consumo de energia e recursos da própria infraestrutura de IA como o principal efeito negativo.