As taxas dos DIs fecharam a sexta-feira com altas entre os contratos de curto prazo, com o noticiário sobre a guerra no Oriente Médio gerando volatilidade ao longo do dia, enquanto no exterior os rendimentos de curto prazo dos Treasuries caíam e os longos subiam.
Em mais uma sessão de alta do preço do petróleo, no fim da tarde a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,2%, com elevação de 9 pontos-base ante o ajuste de 14,111% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 14,16%, com alta de 1 ponto-base ante 14,151%.
A guerra que coloca EUA e Israel contra o Irã foi novamente a condutora dos negócios nos mercados globais. Pela manhã, os investidores reagiam à pausa de dez dias dos ataques dos Estados Unidos às usinas do Irã, anunciada na véspera pelo presidente norte-americano, Donald Trump. O intervalo durará até 6 de abril.
Mesmo com a pausa, os rendimentos dos Treasuries e o dólar sustentavam ganhos, o que dava suporte à alta das taxas futuras no Brasil. Às 9h06, logo após a abertura, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a máxima intradia de 14,300%, em alta de 19 pontos-base.
Entre o fim da manhã e o início da tarde, no entanto, os ativos brasileiros demonstraram alguma reação, com o Ibovespa virando para o positivo e o dólar para o negativo ante o real. As taxas dos DIs também cederam, em meio à expectativa de que as negociações entre EUA e Irã possam avançar.
Fonte ouvida pela Reuters afirmou que a resposta do Irã a uma proposta de paz dos EUA, destinada a pôr fim à guerra, era esperada ainda nesta sexta-feira. Às 12h33, o DI para janeiro de 2028 marcou a mínima de 14,035%, em queda de 5 pontos-base.
Durante a tarde, porém, a percepção geral nos investidores voltou a piorar, com informações de novos ataques de Israel à infraestrutura iraniana, em coordenação com os EUA. Uma autoridade sênior do Irã disse que os ataques dos EUA ao Irã, ao mesmo tempo em que pediam negociações, eram "intoleráveis", acrescentando que Teerã ainda não havia decidido se responderia à proposta norte-americana.
O vaivém do noticiário deu novamente força às taxas dos DIs, que voltaram a registrar altas ante os ajustes da véspera. Por trás do movimento estão as preocupações com os efeitos da guerra sobre a inflação brasileira, em função da disparada do petróleo. Nesta sexta-feira a commodity voltou a ser negociada acima dos US$112 o barril em Londres.
Conforme relatório divulgado pela manhã pela Warren Rena, a inflação acumulada em 12 meses implícita nos títulos públicos brasileiros com vencimento em agosto deste ano estava em 5,25%, bem acima dos 3,41% de um mês atrás, antes da guerra. A meta contínua de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%.
Esta desancoragem -- percebida também no relatório Focus, em que economistas projetam inflação de 4,17% no fim deste ano, acima dos 3,91% de antes da guerra -- tem mantido a cautela do mercado em relação à taxa básica Selic.
Investidores e analistas seguem sem um consenso sobre o que o Banco Central anunciará em abril: outro corte de 25 pontos-base da Selic, redução de 50 pontos-base ou mesmo manutenção em 14,75%.
Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego ficou em 5,8% nos três meses até fevereiro, quase em linha com a mediana de 5,7% das projeções dos economistas ouvidos pela Reuters. Já o rendimento real habitual dos trabalhadores atingiu novo recorde de R$3.679, aumento de 2,0% contra o trimestre imediatamente anterior.
De acordo com analistas, o mercado de trabalho deve continuar resiliente ao longo do ano, sustentando o consumo, o que dificulta o trabalho do Banco Central de controle da inflação.
No exterior, às 16h37, o rendimento do Treasury de dois anos -- que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo -- tinha queda de 7 pontos-base, a 3,914%. Já o retorno do papel de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- subia 2 pontos-base, a 4,438%.