BRASÍLIA - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou, nesta sexta-feira, 27, a bandeira tarifária verde para o mês de abril. Esse enquadramento é vigente desde janeiro deste ano. Com as condições favoráveis à geração de energia no País, os consumidores não terão o valor adicional nas faturas no próximo mês.
Para a segunda metade do ano de 2026 é vislumbrado o acionamento de bandeiras com cobrança adicional para os consumidores, com o período seco. Como o Estadão/Broadcast mostrou, a possibilidade de El Niño no segundo semestre deste ano, com seu efeito no aumento das temperaturas e redução das chuvas no Norte e Nordeste do País, reforça essa perspectiva de bandeiras tarifárias mais caras ao longo do ano.
Com o volume de chuvas em março, há nível considerado satisfatório para os reservatórios das usinas hidrelétricas. Isso resulta na geração favorável de energia. O mais recente boletim do Programa Mensal de Operação (PMO) apresenta um cenário de Energia Armazenada (EAR) acima de 90% para os subsistemas do Norte e Nordeste.
Já para a divisão Sudeste/Centro-Oeste, que concentra 70% dos reservatórios do país, o EAR está em 69,7%. O Sul é o subsistema com a estimativa mais baixa e pode chegar a 27,9%.
Federação das Indústrias de MG adota cautela
A Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) avalia com cautela a manutenção da bandeira tarifária verde em abril.
Para o coordenador de Mercado de Energia da FIEMG, Sérgio Pataca, a tarifa inalterada deve ser analisada considerando a mudança do regime hidrológico no País. "Apesar da manutenção da bandeira verde, entramos agora no período seco no Sudeste, que concentra os principais reservatórios do país. Isso naturalmente reduz a reposição de água e exige maior atenção com a evolução dos níveis ao longo dos próximos meses", observa.
Pataca diz ainda que o fenômeno El Niño, responsávelo pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, já começa a se consolidar, com impactos diferentes entre as regiões do País. "Há tendência de redução das chuvas no Nordeste e aumento no Sul, o que pode contribuir para a recuperação dos reservatórios da região Sul, atualmente abaixo da média histórica", diz.
Por outro lado, conforme o coordenador, o fenômeno também deve trazer temperaturas acima do normal durante o outono, o que tende a elevar a demanda por energia elétrica, especialmente em função do maior uso de ar-condicionado. "Esse aumento de consumo, combinado com o período seco no Sudeste, pode pressionar o sistema e alterar o cenário no próximo mês", alerta.
Como é definida a bandeira tarifária
Houve um aumento no volume de chuva em fevereiro, resultando na elevação do nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas. Em janeiro, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) anunciou um conjunto de ações consideradas preventivas para o atendimento eletroenergético de 2026, tendo em vista os alertas sobre armazenamento de hidrelétricas.
Além do risco hidrológico (GSF), gatilho para o acionamento das bandeiras mais caras, outro fator de peso é o aumento do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) — valor calculado para a energia a ser produzida em determinado período.
Criado em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias indica aos consumidores os custos da geração de energia no País e visa atenuar os impactos nos orçamentos das distribuidoras de energia.
Antes, o custo da energia em momentos de mais dificuldades para geração era repassado às tarifas apenas no reajuste anual de cada empresa, com incidência de juros. No modelo atual, os recursos são cobrados e transferidos às distribuidoras mensalmente por meio da "conta Bandeiras".