Taxas dos DIs sobem em dia de ata do Copom e confrontos no Oriente Médio

24 mar 2026 - 16h46

As taxas dos DIs fecharam a terça-feira com altas, após ‌o Banco Central afirmar que depende de mais informações para definir o tamanho e a duração do ciclo de cortes da Selic e em meio a novos ataques do Irã contra Israel e desmentidos de Teerã sobre supostas negociações com os EUA.

Com o petróleo novamente em alta, reforçando os receios sobre os impactos inflacionários da guerra no Oriente Médio, no fim da tarde a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,935%, com elevação de ⁠15 pontos-base ante o ajuste de 13,783% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI ‌para janeiro de 2035 marcava 14,04%, com avanço de 20 pontos-base ante 13,842%.

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Após cortar a Selic em 25 pontos-base na semana passada, para 14,75% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC afirmou na ata desta terça-feira ‌que "a magnitude e a duração do ciclo de calibração (da taxa básica) serão ‌determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises".

Segundo o BC, a ⁠estratégia de se manter dependente de dados é compatível com o cenário atual, marcado pela guerra de EUA e Israel contra o Irã e pela falta de clareza sobre a desaceleração da atividade econômica no Brasil.

Entre analistas do mercado e investidores, a ata manteve a divisão sobre o que o BC anunciará no fim de abril: nova redução de 25 pontos-base da Selic, aceleração do corte para 50 pontos-base ou mesmo manutenção da taxa, a depender da guerra no Oriente ‌Médio.

"Embora o documento sugira haver espaço para uma eventual aceleração dos cortes, a expectativa de que os conflitos no Oriente Médio ‌se prolonguem sustenta, por ora, um ⁠cenário base de flexibilização em ⁠passos de 25 pontos-base", disse Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, em comentário escrito.

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Para Leonardo Costa, economista do ASA, ⁠o BC preservou na ata uma postura cautelosa e dependente de dados.

"O ‌mercado tende a ler a ata ‌do mesmo modo que o comunicado, mais 'dove' (suave) perante a piora do cenário externo. Apostamos em corte de 50 pontos-base na reunião de abril", afirmou em comentário escrito.

Na B3, as opções de Copom revelavam na sexta-feira -- dado mais recente -- um mercado bastante dividido sobre a decisão de abril. As opções precificavam 35,00% de probabilidade de corte ⁠de 25 pontos-base, 34,50% de chance de manutenção da Selic em 14,75% e 25,00% de possibilidade de corte de 50 pontos-base.

Por trás da divisão estão as dúvidas sobre o andamento da guerra e seus efeitos sobre os preços do petróleo, com consequências para a inflação dos países.

Após o presidente dos EUA, Donald Trump, citar na segunda-feira conversas com o Irã e adiar por cinco dias ataques a usinas do país, ‌as forças iranianas lançaram mísseis contra Israel nesta terça-feira e voltaram a negar ter negociado com os norte-americanos.

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Em reação, o petróleo tipo Brent voltou a superar os US$100 o barril, reforçando os receios dos investidores sobre os impactos ⁠inflacionários nos países, e os rendimentos dos Treasuries subiram.

"A gente sabe que o mercado está muito sensibilizado, e que pequenas notícias, por menores que sejam, funcionam como vetores muito positivos", comentou à tarde o analista Matheus Spiess, da Empiricus Research, ao citar o alívio visto na curva na segunda-feira. "Hoje temos uma reversão depois do otimismo de ontem."

Neste cenário, o Tesouro Nacional retomou pela manhã o tradicional leilão de venda de NTN-B, títulos indexados à inflação, mas com oferta e volume de negociação bem menores do que de costume, para evitar uma pressão adicional na curva brasileira.

Foram ofertados apenas 150.000 NTN-B, com venda de 84.400 títulos, ou 56,3% da oferta. Em 24 de fevereiro -- antes da guerra --, foram ofertados 1.500.000 de NTN-B, com venda total.

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No exterior, os rendimentos dos Treasuries exibiam altas firmes neste fim de tarde, com os agentes pessimistas em relação à guerra. Às 16h36, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha alta de 9 pontos-base, a 3,925%. Já o retorno do título de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 5 pontos-base, a 4,386%.

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