As taxas dos DIs operavam em alta nesta manhã de quinta-feira, acompanhando o avanço dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo no exterior, em mais um dia de preocupações nos mercados sobre a guerra no Oriente Médio.
Às 10h10, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,945%, em alta de 8 pontos-base ante o ajuste de 13,863% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,25%, com elevação de 8 pontos-base ante o ajuste de 14,17%.
No mesmo horário, o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- subia 5 pontos-base, a 4,619%.
Na quarta-feira, os investidores demonstraram otimismo de que Irã e EUA possam chegar a um acordo para encerrar a guerra, apesar das mensagens contraditórias do presidente norte-americano, Donald Trump.
Trump afirmou que poderia esperar alguns dias pelas "respostas certas" de Teerã, mas também disse estar disposto a retomar os ataques contra o país.
Nesta quinta-feira, reportagem da Reuters informou que o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, emitiu uma diretriz para que o urânio do país, com grau de pureza próximo ao usado em armas, não seja enviado ao exterior, conforme duas fontes iranianas.
O destino do estoque de urânio enriquecido do Irã é um dos pontos sensíveis nas negociações de paz entre os dois países.
Com o petróleo Brent novamente em alta, para perto dos US$107 o barril, os rendimentos dos Treasuries também subiam nesta quinta-feira, dando suporte à alta das taxas futuras no Brasil.
Enquanto nos EUA os ativos precificam chances superiores a 40% de alta de juros em dezembro, na esteira dos impactos inflacionários da guerra, no Brasil os investidores vão consolidando as apostas de que o Banco Central reduzirá pela última vez a Selic em junho, antes de paralisar o atual ciclo de cortes.
Na última terça-feira -- dado consolidado mais recente -- as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 65% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic em junho, contra 30% de chance de manutenção da taxa básica em 14,50% e 2,75% de possibilidade de redução de 50 pontos-base.
Para a decisão seguinte, em agosto, os percentuais eram de 53% para manutenção, 33,5% para corte de 25 pontos-base e 8,5% para redução de 50 pontos-base.
No campo político, o principal foco de atenção ainda é o noticiário sobre as relações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, que está preso.
Desde a semana passada, Flávio tem lutado para explicar um pedido de dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso por tentativa de golpe de Estado.
Flávio alega ter buscado recursos privados para o filme, sem oferecer qualquer vantagem em troca. Vorcaro está no centro de um dos maiores escândalos financeiros da história do Brasil, que levou a um desembolso de bilhões de reais do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
No mercado, um dos receios é de que a candidatura de Flávio ao Planalto siga sendo desgastada pelo escândalo, elevando as chances de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
(Edição de Pedro Fonseca)